
Resenha: Diego Camargo
Nota: 5
Karmakanic
Wheel Of Life
2004
Regain Records
Faixas:
1. Masterplan, Part 1 – 14’39
2. Alex In Paradise – 5’07
3. At The Speed Of Light – 6’28
4. Do U Tango? – 7’44
5. Where The Earth Meets The Sky – 12’59
6. Hindby – 4’59
7. Wheel Of Life – 8’28
8. Masterplan, Part 2 – 5’10
Integrantes:
Jonas Reinglod – baixos e teclados
Göran Edman – voz
Zoltan Czörz – bateria
Krister Jonzon – guitarras e violões
Músicos convidados:
Richard Anderson – teclado solo na faixa 1
Roine Stolt – guitarra nas faixas 7 e 8
Tomas Bodin – Hammond nas faixas 1,2 e 3
Hans Bruniusson – percussão na faixa 1
Helen Melin – percussão nas faixas 2,4,5 e 7
Sal Dibba – congas e yembe nas faixas 3 e 5
Helge Albin – flauta na faixa 7
Jakob Karlzon – piano e teclados nas faixas 5 e 7
Ola Hedén – piano na faixa 7
Inger Ohlén – vocais na faixa 5
Alex Reingold – discurso na faixa 2
Resenha:
01. Masterplan Pt. 1
Bom, uma coisa eu posso dizer sem temer. Essa banda me surpreendeu de maneira espantosa. Que música de abertura genial.
Claro que o baixo de Jonas leva certa ‘vantagem’ mas isso não é exagerado, ele sabe bem dosar.
Caramba, sério pessoal que tá lendo essa resenha, eu estou imensamente impressionado com o som dos caras, imaginava outra cara, completamente diferente. Claro que uma pontinha de The Flower Kings há (o que é muito bom), mas sem deixar de ter identidade própria.
Vocal? Bom sim senhor. Tem esse problema, as vezes o som da banda é mais que excelente mas o vocal não dá certo, por aqui a coisa dá certinho. Tudo bem que ele está mascarado com efeitos, mas essa é só uma faceta da música.
Vejo resquícios da guitarra de Roine Stolt nessa parte logo depois dos 6 minutos, solos elaborados e cheios de técnica (mas nesse caso do teclado de Richard Anderson).
Depois dos 7 minutos e meio é que ouvimos o vocal de Göran Edman de verdade pela primeira vez.
Com sua melodia rebuscada lá se vão 10 minutos de uma senhora faixa. Logo depois a típica parada estratégica e louca muito usada pessoal do The Flower Kings, com a diferença dos estranhos vocais presentes em cada uma das paradas.
É incrível como essa galera ‘nova’ está fazendo um som altamente recomendado, toda vez que ouço bandas da qualidade do Karmakanic me surpreendo e fico muito contente.
É a Suécia colocando seu nome de vez no panteão do Progressive Rock com muito orgulho.
02. Alex In Paradise
Alex Está No Paraíso e o bebê que abre sorrindo a faixa demonstra isso claramente.
Gosto dessas melodias acompanhadas pelo violão, a banda toda tocando junta mas com o violão na frente.
E comprovando isso está o excelente vocal de Göran.
03. At The Speed Of Light
Já colada na faixa 2 chega ‘At The Speed Of Light’ com a guitarra de Krister Jonzon em código-morse, e logo dividida em várias síncopas. O baixo fretless de Jonas é divino, ele sabe o que faz com ele.
Aos 3 minutos a surpresa! Vocais no estilo Gentle Giant de ser, que eu só tinha ouvido antes com o Spock’s Beard no seu disco Beware Of Darkness (1996) na faixa de abertura ‘Thoughts’, muito bom isso.
04. Do U Tango?
Sabe o que temos por aqui? Um completo jazz com influências espanholas num tempo maluco e cheio de detalhes, sons aqui e ali, e claro, uma linha de baixo de Jonas mais que espetacular. Tudo devidamente acompanhado pela bateria de Zoltan Csorsz.
Depois dos 5 minutos Jonas dá outro show.
“Excuse me, do u tanto?” Genial!
05. Where Earth Meets The Sky
Instrumental de qualidade máxima com o piano a frente. O tema se estende de maneira energética até meados de 3 minutos, depois a banda dá uma descansada e parte para uma belíssima melodia em formato balada.
Quase chegando aos 7 minutos de música a veia free-jazz da banda toma o ouvinte incauto de assalto, levando a mais uma pequena viajem.
Muito usado o fretless de Jonas (fretless é o baixo que não possui trastes de marcação, dando assim, uma sonoridade única ao instrumento).
Aos 10 minutos a banda quase volta ao tema central-inicial, uma guitarra esperta segue o baixo e o teclado, todos juntos numa pessoa só como diria o mestre Arnaldo Baptista (Mutantes).
Zoltan aproveita pra se soltar bem na parte final.
06. Hindby
O nome já deixava a suspeita no ar. A influência aqui é a música árabe e suas afluentes (como rios mesmo que desembocam nos grandes mares musicais).
As percussões durante toda a faixa e a excelente participação (e também inconfundível) de Roine Stolt na guitarra solo.
07. Wheel Of Life
‘Wheel Of Life’ tem sotaque pop e cheio de belas melodias, daquelas que normalmente se ouve e nunca mais se esquece, mesmo com a rítmica um tanto quebrada.
Pouco depois dos 3 minutos o ritmo muda, se torna mais cadenciado, leve mas ao mesmo tempo denso, se isso for possível. E os vocais, muito bons, várias vozes em camadas e mais camadas melódicas ‘combatendo’ com a melodia dos instrumentos.
Aos 6 minutos aparece um tipo de seção que eu adoro, é aquela de paradas, quando a banda ataca com um riff curto e depois usa o silêncio como valorização melódica.
08. Masterplan Pt. 2
O tema que incia e termina o disco é o tema mais ‘profundo’ digamos assim.
Com letra forte e tema simples mas enigmático o vocal de Göran é muito bem valorizado aqui.
E se não me engano quem aparece novamente fechando com chave de Diamante (mais que ouro risos) é Roine na guitarra solo (como esse cara é bom!).
Incrível o clima criado e o sentimento colocado nesse tema. Terminando o disco e deixando um sentimento muito bom nos corações dos que são bem intencionados de alma.
O que dizer? Maravilhoso!