
Resenha: Diego Camargo
Nota: ![]()
Banda: Labirinto
Disco: Anatema
Ano: 2010
Selo: Dissenso
Tipo: Estúdio
Faixas:
1. Reverso – 13’08
2. Incendiários – 10’06
3. Chromo – 11’51
4. Huo Yao – 10’06
5. Flagelo – 12’50
6. Anatema – 11’59
Integrantes:
Erick Cruxen – guitarras e efeitos
Joaquim Prado – guitarras, baixo e sintetizadores
Muriel Curi – bateria
Matheus Barsotti – bateria
Daniel Fanta – guitarras
Vitor Visoná – violoncelo
Heitor Fujinami – violino
Resenha:
Em primeiro lugar, Post Rock e suas ‘afluentes’ nunca são fáceis de resenhar e até mesmo de digerir, é um som que se tem que ouvir com calma e atenção, e os dias de hoje perderam essa essência na música para a maioria.
Tendo isso em mente coloquei meus fones, peguei meu café e embarquei na viagem sonora do Labirinto.
1. Reverso
A bela arte do CD Anatema (2010) é a primeira coisa que salta aos olhos, com certeza. De imediato a pergunta: e o som? Vem à cabeça!
Pois bem, nunca foi fácil assimilar o Post Rock pra mim, apesar de ter ouvido vários bons discos com o passar dos anos.
Lançado pelo próprio selo do grupo, o Dissenso, Anatema (2010) começo com a faixa ‘Reverso’, pelo menos é a faixa de abertura do CD, porque o encarte nos mostra que a sequência pode muito bem ser feita pelo ouvinte, ainda mais nos dias digitais que vivemos.
O disco inicia com muitos efeitos, cerca de 3 minutos de efeitos e sons, até que a guitarra dedilhada apareça junto ao violino, ai então a música começa a tomar ‘forma’, uma segunda guitarra, peso, bateria e baixo marcam as viradas.
A banda conta em sua formação com dois bateristas, Muriel Curi e Matheus Barsotti, mas para esses ouvidos não treinados com essa sonoridade fica bem difícil definir onde estão eles na 1ª faixa do disco.
Acho que a melhor palavra pra descrever ‘Reverso’ (e acho que o disco como um todo) é ‘clima’, são memórias musicais, como pequenos filmes musicados, onde os instrumentos, no final das contas, não importam muito, e sim a música criada por eles. Esqueça os músicos, concentre-se na música.
O que é engraçado, porque ao notar isso, no oitavo minuto da música é que pude perceber onde estão as duas baterias (risos).
Me lembrou de leve algumas coisas italianas de trilhas sonoras como o Goblin na parte final.
2. Incendiários
Violoncelo e ‘vento’, uma continuação da temática anterior, o disco flui, quase não se percebe a mudança das faixas.
Depois do 4º minuto, ‘Incendiários’ recebe um tratamento mais ‘música’ do que ‘climática’ e que dura cerca de 1 minuto, baixo a frente. Daí então a banda insere um violão dedilhado pra ficar mais pesada na sequencia.
Bons momentos musicados, o termo ‘viagem sonora’ realmente se aplica aqui.
3. Chromo
O começo de ‘Chromo’ engana, e o banjo remete ao Japão, logo imaginei que já estava na quarta faixa (risos).
O ritmo marcial leva a terceira faixa de Anatema (2010) fazendo contraponto com a fuga de violino e guitarras.
4. Huo Yao
Como eu suspeitava a faixa anterior vem atrelada a ‘Huo Yao’, fazendo com que mal se percebe a mudança das músicas, praticamente a mesma canção extendida.
Pouco mais de 4 minutos a faixa parece ter acabado, mas eis que volta o violão de outrora pra mais uma ‘participação especial’.
Tenho que deixar um adendo por aqui. Apesar de interessante a banda parece ter entrado em looping, não sei se intencional ou não, mas pra mim parece uma única faixa contínua, o que pode deixar a audição cansativa.
Minha parte favorita é depois dos 08:00 onde a música toma corpo e tem mais cara de Rock N Roll.
5. Flagelo
Passando as faixas sem termos a percepção que elas se foram temos a penúltima faixa ‘Flagelo’, que como o nome sugere traz essa sensação ao ouvinte.
Paradas sonoras até os 02:00, o mar, sinos, uma bela paisagem sonora.
Talvez o som do Labirinto não deva ser resenhado, já que em muitos momentos não é possível transmitir em palavras sentimentos ou paisagens mentais. Pelo menos é essa a impressão que tenho ouvindo o primeiro disco do grupo.
6. Anatema
Assim chegamos a faixa final do disco, tenho que confessar que a essa altura é difícil simplesmente sentar com os fones e ouvir com toda a atenção do mundo, talvez o som do Labirintonão deva ser ouvido dessa maneira.
A faixa que dá nome ao disco é bonita, parte dessa ‘culpa’ é do naipe de cordas, o violino de Heitor Fujinami e o violoncelo de Vitor Visoná.
Um bom disco, muito bem produzido e com arte visual impecável, mas um pouco cansativo no parte final. Talvez o grupo possa se concentar em polir suas composições, que são muito boas, para o segundo disco, que eu tenho certeza que será muito bom!
Que som!! Muito bom. Fico sem acreditar que talentos assim no Brasil são severamente ignorados pela mídia, mas ainda bem que sites como o Progshine estão aí pra divulga-los! Já to baixando o álbum pra conferir todas a faixas.