
Resenha: Diego Camargo
Nota: 5
This Review In English
Marvin Ayres
Eccentric Deliquescence
2008
Mandalic Records
Faixas:
01. Androgynous Weave – 4′25
02. Soured Alchemy – 2′47
03. I Wish I Was The Sky – 4′53
04. Elegiac Collage – 5′59
05. Forever Is Now – 7′28
06. The Bark That Is Bearing – 3′41
07. Tail Piece – 3′35
08. Do You Hear Me Now? – 2′59
09. Harold – 2′10
10. Bitter Beauty – 4′40
11. Insomnolence – 2′58
12. Neurasthenia – 7′10
13. Coiling Compotation – 4′33
14. Durdy – 2′13
Formação:
Marvin Ayres – violino/violoncello e pianos
Resenha:
01. Androgynous Weave
Assim que começa, é como se fosse uma viagem. As cordas tecem uma cama infinita para o sonhar, interessante como a música se desenrola de maneira quase trágica e emocional.
A música é como uma janela de vidro, tudo é recebido e assimilado, uma mistura de música clássica contemporânea e Arquixo X.
02. Soured Alchemy
O piano, sua melodia, é transcedental, o cello une-se a uma mistura quase profética, espacial, ambiente. Imagine-se numa grande sala sem o teto, sob o olhar das estrelas. Dito isso não há como falar mais nada! Use sua imaginação.
03. I Wish I Was The Sky
Se o título da música já nos conta muito da idéia inicial (Queria Ser O Céu), os instrumentos só nos transportam para o sonho de destino. Uma voz, sozinha, como se estivesse dizendo algo ao mundo que é vislumbrado logo abaixo.
Vocês alguma vez já sonharam que estavam voando?
04. Elegiac Collage
Um zumbido! Uma abelha? Quem sabe a confusão constante em nossos cérebros.
Essa música me lembra um pouco do Rock Progressivo Eletrônico feito na segunda metade dos anos 70 como Synergy, Tangerine Dream, Quartz e Kraftwerk.
Na parte seguinte os rumos são alterados, o quarteto de cordas entra em cena e suas notas econômicas, junto com a nota constante do violino ao fundo espalham uma doce melancolia no ar enquanto as notas graves do piano fazem com que o ouvinte acorde pra realidade.
05. Forever Is Now
Apesar do sentimento caótico que cada uma das faixas carrega, ‘Forever Is Now’ traz consigo uma leve gama de melancolia em sua melodia, o violino carrega consigo a tristeza dos séculos enquanto os violoncelos confirmam a existência de uma outra série de sentimentos inerentes à alma e do mundo.
Acho que a melodia faz com que o título da música tenha realmente o sentido exato.
A narração final complementa de maneira magistral todo o sentimento carregado pela música.
06. Bark That Is Bearing
Como uma bela surpresa essa música tem um belo vocal, como se estivesse cantando em uma grande Catedral vazia. Somente a voz e mundo. Talvez a confirmação de sua própria existência.
Na segunda parted a música mais e mais vozes se juntam à primeira voz em uma asfixiante sensação.
07. Tail Peace
Uma simples e tênue linha entre a sanidade e a razão humana. Uma verdade entre os dentes, ou uma idéia no coração.
08. Do You Hear Me Now
O que havia começado na faixa 6, ‘Bark That Is Bearing’, continua aqui, os arranjos vocais progridem de forma canônica, os cantos e a maneira com que a música foi arranjada nos remete para tal situação.
09. Harold
Um violoncelo, um único instrumento e nada mais.
Acho que é preciso ter coragem quando se faz um arranjo tão simples mas ao mesmo tempo tão ousado.
10. Bitter Beauty
Suas orquestrações minimalistas chegam aos ouvidos de maneira caótica, é difícil acostumar-se aos sons que saem das caixas, uma onda hipnótica e massiva, não seria nenhum exagero se eu dissesse que é muito fácil entrar em estado hipnótico com essa faixa nos fones de ouvido no escuro do seu quarto.
11. Insomnolence
Nessa faixa o piano sombrio e audacioso nos remete às melhores cenas de terror do cinema Europeu.
As cordas que se fazem passar por vozes humanas chorosas dão a impressão de termos entrado em um mundo estranho e bizarro.
Os detalhes se sobrepõem de maneira audaciosa, mas cautelosa e minimalista, nada do que chamamos de ‘desperdício de notas’.
12. Neurasthenia
É assombroso! Estou realmente estupefato com o som desse álbum, apesar de sabermos (parcialmente) o que virá e apesar de ouvirmos a ‘fórmula musical Ayres’, cada faixa que se sucede nos transporta para cenas e lugares completamente inusitados e sombrios.
É realmente impressionante.
13. Coiling Compotation
Simplesmente caótico! Quem sabe ao dizer isso você se assuste, mas é como assitir aos comediantes do Monty Python, é um humor rebuscado por vezes complexo, mas absurdamente divertido, o caso desta música é bem parecido.
14. Durdy
Uma guitarra! Ela aparece pela primeira vez no álbum, e se a faixa anterior parecia caótica, essa eleva o nível em muitas vezes.
Um desfecho corretíssimo para um disco que segue em caminhos tortuosos no nosso mundo musical.
Tenho certeza absoluta que a cada vez que ouvir esse disco (e tenho certeza que serão muitas) notarei mais e mais detalhes ‘escondidos’, é um disco pra ser ouvido aos poucos como um grande quebra-cabeça.
Definitivamente um disco que fala ao coração, aos sentimentos.
Uma obra-prima!