
Resenha: Jefferson A. Nunes
Nota: ![]()
Banda: Moraine
Disco: Manifest Density
Ano: 2009
Selo: Moonjune
Tipo: Estúdio
Faixas:
1. Save The Yuppie Breedeing Grounds – 4’12
2. Ephebus Amoebus – 4’55
3. Nacho Sunset – 4’29
4. $9 Pay-Per-View Lifetime TV Movie – 5’51
5. Manifest Density – 3’55
6. Uncle Tang’s Cabinet Of Dr. Caligari – 4’01
7. Disillusioned Avatar – 5’15
8. Kuru – 5’02
9. Revenge Grandmother – 5’11
10. Staggerin’ – 4’41
11. Middlebräu – 6’46
Formação:
Dennis Rea – guitarras
Alicia Allen – violino
Ruth Davidson – cello
Jay Jaskot – bateria
Kevin Millard – baixo
Resenha:
Mais uma grande banda, que mostra que o Rock Progressivo ainda está vivo, e tem muito ainda para mostrar. Achei legal o fato do guitarrista, Dennis Rea ser também guitarrista do IronKim Style, o que mostra a versatilidade dele em bandas com temáticas e propostas diferentes. Enquanto o Iron Kim Style é mais voltado para a livre improvisação do Jazz e tem influência da música oriental, o Moraine é mais calcado no Jazz tradicional, com bastante influência do Fusion, com uma forma musical de mais fácil “digestão”, e que eu achei muito interessante.
1. Save The Yuppie Breeding Grounds
Começa de forma densa, com melodias mais ou menos independentes dos instrumentos. Depois Mais ênfase para guitarra distorcida, seguido por um lick de guitarra agudo bem legal, que irá se repetir no fim da música. Tem momentos mais calmos com dedilhados, e momentos mais pesados, o que dá a música um senso bem melódico.
2. Ephebus Amoebus
Começa com bateria e baixo suingado, que me lembrou Funk (o original, naturalmente), seguido por um momento calmo, com uma guitarra “jazzística” muito bem executada, enquanto a violinista toca melodias muito belas. Em 2:38 a banda acelera, com o violino “desesperado”, mas logo depois a calmaria volta, e a música segue de forma meio atonal, tendo uma melodia muito legal em 3:57, quando o violino toca de forma parecida com uma guitarra com a técnica de tremolo.
3. Nacho Sunset
Começa suingada também, e é mais voltada para o Jazz tradicional, com guitarra muito bem executada, que vai desenvolvendo melodias de forma bem harmônica. Tem melodias de violino e depois violoncelo, que são executadas com muito bom gosto. Grande música!
4. $9 Pay-Per-View Lifetime TV Movie
Tirando o título inusitado, essa música é mais “obscura”, com um clima meio Post Rock bastante interessante. Começa com aquelas ambiências profundas lembrando o vento, tão características do estilo. Então em 0:50 começa uma linha de baixo lenta, acompanhada por acordes limpos de guitarra tocados com paradas, enquanto os demais instrumentos adicionam suas belas linhas melódicas.
Segue em crescimento, com o baterista começando a intensificar as batidas, até virar quase um solo mesmo, e com o restante da banda ficando tocando um som menos coordenado, até que em 4:31 o guitarrista começa a fazer um belo solo, e a música volta ao seu clima habitual. Vai diminuindo a intensidade até terminar calmamente. Linda!
5. Manifest Density
Ah! A faixa título! Momento sempre esperado pelos ouvintes, afinal, para a música dar título ao álbum em geral ela tem de ser muito boa, ou pelo menos parecer ser
. Bem essa faixa realmente merece o título do álbum, porque de fato é fantástica. Começa com uma melodia de guitarra bem legal, que se repete, e a cada repetição um instrumento entra, primeiro o violoncelo, depois o violino e o restante da banda.
Tem várias texturas e momentos interessantes, com momentos mais intensos e agressivos, com mais ênfase para a guitarra, em contraste com partes mais tranquilas e belas.
6. Uncle Tang’s Cabinet Of Dr. Caligari
Talvez a música mais “louca” do disco, meio Frank Zappa e até com toques do Iron Kim Style. Começa com uma escala descendente tocada de forma aguda na guitarra, se transformado depois em uma música mais cadenciada, com a bela linha de violino contrastando de forma perfeita com a base de guitarra mais “rockeira”.
Em 0:50 começa a “loucura”, com melodias mais sem propósito, meio sem métrica, mas que tem um resultado final interessante. Tem a repetição do riff guitarra / violino, e depois mais “loucura”, até o fim da faixa.
7. Disillusioned Avatar
Começa com uma linha interessante de baixo, trazendo logo depois o restante da banda. É bastante suave, com linhas belas de guitarra proporcionadas por acordes abertos, e solos bem interessantes. As linhas adicionadas pelo violino também são belíssimas, e mostram muito da técnica da violinista. Pra mim é um dos melhores momentos do álbum.
8. Kuru
Começa intensa, mais pesada, com uma melodia tocada pelos instrumentos de cordas bem interessante, que será a espinha dorsal da banda. Tem solos de guitarra com uma influência arábica bem interessante, e que mostram que mesmo que o guitarrista Dennis Rea não sendo propriamente virtuoso, é um nome importante da guitarra progressiva atual, que merece respeito e atenção. Segue uma linha mais tradicional, com mais ênfase na melodia inicial, o que não diminui em nada seu valor auditivo.
9. Revenge Grandmother
Começa com um dueto violino / violoncelo muito bonito, que traz uma música bastante tranquila, diferente das outras, mais voltada para os instrumentos clássicos do grupo, com linhas de guitarra limpa bonitas, mas bastante contidas, e que possui pouca batida, com mais ênfase em uma percussão que está em constante mudança, acompanhando a música de forma bastante precisa.
10. Staggerin’
Começa com um dueto guitarra / baixo meio dissonante, lembrando bastante o fusion, que aliás, é o estilo mais presente nessa faixa, com batidas rápidas e constantes, e bastante dissonâncias dos instrumentos, mais a guitarra e o violino, que travam espécie de duelos, o que dá a essa faixa uma tonalidade diferenciada. Tem alguns momentos mais “loucos” em contraste com partes mais tradicionais, o que dá à faixa uma mistura bem interessante.
11. Middlebräu
Que grande música! Começa com um dueto baixo / guitarra com um estilo muito próprio do Hard Rock, que será a espinha dorsal da música. O contraste desse estilo com as linhas de violino gera um resultado final único. Em 1:15 o baterista faz um solo bastante performático, que mostra sua grande influência do Jazz, e que logo trás outra parte no estilo da anterior. Em 2:08 a banda para, deixando apenas Dennis Rea realizando um belo dedilhado, que logo depois é sobreposto por um solinho simples de guitarra com técnica de trêmulo. Então uma belíssima linha de violino começa, acompanhada por linhas acústicas muito bonitas de Dennis, uma das melhores que eu já vi.
Em 3:41 ele começa um solo mais complexo, mas mesmo assim calmo e de beleza estonteante, que tem uma evolução F-A-N-T-Á-S-T-I-C-A, e que pra mim é o ponto alto do disco. Não tenho como negar que esse é a melhor faixa do álbum, e é um dos melhores finais que já vi. Em geral as bandas deixam as melhores faixas no começo e as de menor qualidade por último, mas o Moraine fez o contrário. Mais uma nova banda que merece atenção dos fãs do Rock Progressivo, tanto os velhos como os novos.