
Resenha: Jefferson A. Nunes
Nota: ![]()
Banda: Rush
Disco: Hemispheres
Ano: 1978
Selo: Mercury
Tipo: Estúdio
Faixas:
1. Cygnus X-1 Book II – 18’04
I. Prelude
II. Apollo Bringer Of Wisdom
III. Dionysus Bringer Of Love
IV. Armageddon The Battle Of Heart And Mind
V. Cygnus Bringer Of Balance
VI. The Sphere A Kind Of Dream
2. Circumstances – 3’40
3. The Trees – 4’42
4. La Villa Strangiato – 10’34
Integrantes:
Geddy Lee – voz/baixo/sintetizadores e Bass Pedals
Alex Lifeson – guitarras/violão e Bass Pedals
Neil Peart – bateria e percussão
Resenha:
Meu disco preferido do Rush, Hemispheres (1978) tem um Q de especial pra mim. Lembro-me que eu era criança, e meu irmão, que naquela época morava no seminário, vinha nos visitar em férias anuais, e trazia seu rádio. Dentre os vários CD’s que ele escutava, Hemispheres (1978) e 2112 (1976) e mantém em minha mente como dois dos mais marcantes, e mesmo sem me lembrar completamente de tudo, trechos das músicas, como a introdução de ‘La Villa Strangiato’ e de ‘Overture’ de ’2112′ permanecem em minha memória como momentos marcantes e únicos.
A verdade é que Hemispheres (1978) é realmente um disco muito especial, mostra mais um mergulho dentro do experimentalismo da banda, com muitas linhas complexas e mudanças de ritmo e texturas distintas nas músicas, todas elas fantásticas por sinal, e com Geddy Lee no ápice de sua voz. Foi o último grande disco Progressivo da banda, o seguinte, Permanent Waves (1980) já mostrava uma face mais comercial e acessível que iria perdurar até os dias de hoje. Uma pena.
1. Cignus X-1 Book Two
I) Prelude
A continuação da última música do disco anterior, ‘Cignus X-1 Book Two’ é uma das melhores músicas de grande duração do Rush, e mostra uma busca por uma face mais melódica, sem se preocupar tanto com solos, e contendo uma das letras mais bonitas que já vi. Começa com mais uma bela introdução, mais voltada para dedilhados de grande beleza, e, é claro, os riff’s clássicos da banda, com muito Overdrive. Tem ainda linhas de sintetizadores colocadas em momentos certos.
II) Apollo Bringer Of Wisdom
Depois de dois segundos de silêncio, ela vem, com riff’s e dedilhados, mostrando o melhor do Rush, e seguindo a linha da introdução. Intercala dedilhados e partes mais pesadas, embora essas últimas sejam suaves se comparadas com outras músicas da banda. Em 6:25 começa um dos três únicos solos da música, no estilo consagrado de Alex Lifeson, intercalando velocidade e feeling, sendo porém um solo sem aquela agressividade toda que é apresentada em músicas como ’2112′.
III) Dionysius Bringr Of Love
Começa absolutamente grudada na outra, numa transição bem natural, o ouvinte nem percebe a mudança. Segue a mesma melodia da anterior, com riff’s pesados e dedilhados belos. Em 8:55 uma bela melodia de sintetizador aparece por cima da melodia principal, logo depois continuando a melodia clássica da música, e em 9:30 mais um solo de Lifeson, esse porém mais contido e pequeno, não deixando muito o que dizer.
IV) Armageddon The Battle Of Heart And Mind
Começa grudada na outra também, e segue a linha das anteriores. Em 10:41 porém, o bonito dedilhado que é repetido tantas vezes continua a tocar durante a estrofe, o que deixa a música com um tom mais dançante. Em 11:30 linhas de sintetizador dão um toque muito interessante a faixa, com uma guitarra mais pesada acompanhando. Segue até morrer rapidamente.
V) Cygnus Bringer Of Balance
Começa sombria, com acordes claros de pestana iguais aos mostrados na ‘Cygnus X-1 Book One’, e com uma ambiência de teclado bastante sombria crescendo. No limite da audição aquele lick de baixo e bateria que tornava a música anterior pesada aparece, mas é difícil ouvi-lo com clareza nas primeiras audições. A ambiência cresce, com Geddy Lee cantando bem suavemente e com o vocal com efeito.
Sons trovejantes aparecem em 14:00, o que mostra a habilidade de Neil Peart para sonoplasta. Em 14:36 a banda vem tocando de forma pesada, com Geddy Lee cantando de forma muito agressiva, dando quase um susto no ouvinte, pois é de forma bem repentina mesmo. É a parte mais pesada da música, tendo um solo de guitarra pequeno e bem agressivo em 15:24.
Na parte final dela um momento mais selvagem, com Neil Peart mostrando sua técnica absurda. Em 16:42 a música “explode” até morrer lentamente.
VI) The Sphere A Kind Of Dream
Parte mais bonita, resume-se a um dueto violão / vocal, e mostra outra faceta do vocal de Geddy Lee, bem suave e contido. Um perfeito final para uma música tão incrível.
2. Circumstances
Música mais pesada do disco, ‘Circumstances’ traz aquele Hard Rock tão característico do Rush, com guitarra “venenosa”, baixo pulsante e bateria complexa. Tem um refrão bem viciante, embalado e cativante. Em 2:09 a música “morre” e vem um belo dedilhado, com Neil Peart tocando uma lira de teclas de forma magistral. O teclado de Geddy Lee tocando um instrumento de sopro que não sei definir qual é também é muito bem executado, mas o trecho é pequeno, e logo trás o peso novamente.
3. The Trees
Que bela música! The Trees é uma daquelas músicas cheia de momentos distintos, que começa com um belíssimo dedilhado de violão, acompanhado logo depois pelo vocal e baixo de Geddy Lee. Logo após um pequeno dueto violão / baixo, o peso entra em 0:40, de forma bem dançante, uma característica muito legal de diversas músicas da banda.
Em 1:46 a música pára, e, com um dedilhado muito bonito ao fundo, Geddy Lee faz uma linha de teclado muito boa, enquanto Neil Peart toca conjuntos estranhos da sua bateria monstruosa. Em 2:54, Geddy faz uma linha de baixo fantástica, que traz o solo de Alex Lifeson, preciso e contido, sem firulas. Em 3:33 começa uma série de riff’s com paradas muito legal, sem dúvida um dos melhores momentos do disco.
4. La Villa Strangiato
O melhor tema instrumental do Rush? Os fãs de ‘YYZ’ que me perdoem mas pra mim sim. Dividida em 12 partes (!), ‘La Villa Strangiato’ começa com uma trecho acústico feito por Alex em um violão, com grande influência da guitarra flamenca, que ficou espetacular. Logo depois uma melodia calma vai crescendo aos poucos nos ouvidos, com bastante som de sintetizadores, e com a bateria começando a integrar elementos lentamente.
Em 2:00 começa o peso, com o riff principal da música, muito cativante e bem complexo. Vai diminuindo de intensidade aos poucos, até que em 3:35 Neil Peart segura uma batida bem suave, e, com eventuais notas do baixo, Alex começa a fazer um solo calmo, que vai evoluindo e crescendo em volume e agressividade aos poucos, intercalando velocidade e feeling, marca registrada desse grande guitarrista. Pra mim é o mais fantásticos dos solos de Lifeson, o melhor de tudo o que produziu.
Segue para um riff abafado muito interessante, até que em 5:44 a parte mais intensa da música começa, com um dueto guitarra / baixo muito agressivo e complexo, tendo um pequeno solo de baixo em 6:10, muito técnico e preciso. Depois disso Neil Peart mostra sua técnica absurda em um riff com paradas e pequenos solos nos silêncios da guitarra e baixo.
Chegamos aos 7 minutos com muitas mudanças de tempo e lick’s difíceis e intrincados, e em 7:50 é mostrada uma das coisas mais pesadas já feitas pelo Rush, quase um Heavy Metal mesmo, um riff meio sombrio e sinistro, e que logo trás melodias do início da música.
Uma música sem igual, fico sem fôlego toda vez que a ouço, e vejo muita influência dela em bandas como Iron Maiden (ouçam Hallowed Be Thy Name e entenderão o que digo).
Pra mim, Hemispheres (1978) é um disco pouco lembrado, apesar de duas de suas músicas, ‘La Villa Strangiato’ e ‘The Trees’ figurarem em shows da banda até hoje. Tem o último registro 100% Progressivo do Rush, e só por isso merecia estar ao lado de grandes álbuns como Moving Pictures (1981) e 2112 (1976).