
Resenha: Diego Camargo
Nota: 5
Saga
Homo Sapiens
1976
Movieplay
Faixas:
1. 6º Dia – 5’49
2. Filius Domini, Filius Hominis – 2’18
3. Hiroxima – 2’35
4. Cantiga De Imigo – 3’50
5. Invasão – 3’53
6. Guerra – 5’43
7. Carta – 1’11
8. No 20º Aniversário Da Morte Do Poeta – 3’24
9. Aprendiz De Feiticeiro – 4’36
10. Dunas – 4’15
Integrantes:
José Luis Tinoco – piano, piano elétrico, sintetizadores, órgão e violões de 6 e 12 cordas
Zé Da Ponte – baixo, violões de 6 e 12 cordas e vocais
Fernando Fallé – bateria
Músicos convidados:
Vasco Henriques – moog e flautas
Rão Kyao – saxofones
Fernando Girão – percussão e vocais
Sinde Filipe – narrações
Dulce Neves, Clara, José Themudo Barata, Carlos Rodrigues e José Fardilha – vocais
Resenha:
01. 6º Dia
Sintetizadores, a pequena viagem é iniciada. Em poucos segundos temos o ritmo frenético e intrincado da base que leva a canção que abre o disco.
Seguem os vocais, de suma importância ao disco, pode ser estranho o sotaque português de início, mas acostuma-se rapidamente e logo se torna um deleite aos ouvidos. Destaque ao baixista Zé Da Ponte (sim, também estranhei o nome).
O fato de ser cantado em todo como em um coral, com muitas vozes, torna a faixa forte e muito melódica. Os vocais femininos ajudam nesse fator.
A letra é uma adaptação de José Luis Tinoco para uma poema de Pedro Tamen.
Melodicamente a faixa abre divinamente o álbum e encerra de maneira enérgica com o trio José Luis Tinoco (teclados), Zé Da Ponte (baixo) e Fernando Fallé (bateria), o trio base de todo o disco.
02. Filius Domini, Filius Hominis
Em contrapartida ao ritmo frenético final da 1ª faixa ‘Filius Domini, Filius Hominis vem lenta e sofrida, o vocal masculino grave e forte (infelizmente não tenho certeza absoluta de quem é a voz em questão, mas suponho ser de Carlos Rodrigues) dá um tom mórbido e triste a faixa, sentimento esse completo pelo saxofone de Rão Kyao. Mais uma vez ótima a linha de baixo de Zé Da Ponte.
Excelente faixa!
03. Hiroxima
A terceira faixa, conforme o nome anuncia, vem profética, com estrondos e a narrativa angustiante e asfixiante de Sinde Filipe, contando o ‘pós-bomba’.
O final é um convite aos pensamentos:
“A teu lado alguém pergunta:
Meu Deus, que fizemos?…”
Pois é!…
04. Cantiga De Imigo
O ritmo sincopado da 1ª faixa parece o início dessa faixa e em seguida prossegue com sutileza, trazendo vocais femininos semelhantes aos de “The Great Gig In The Sky” do Pink Floyd, porém em estilo diferente e em passagem bem curta.
Pouco depois dos 2:20 o vocal principal canta acompanhado somente de violões, e mais uma vez carregado de tristeza e solidão já que todo o conceito é um tanto triste. A letra foi construída com partes de poemas de Sá De Miranda e Bernardim Ribeiro.
05. Invasão
Frase rápida de teclado, seguida pelo sintetizador e o ótimo baixo. Enquanto as vocalizações dão a melodia, narrações entrecortam os versos dando o tom profético que o disco precisa.
Mais uma vez os vocais fazem com que você prestes atenção total, parando tudo ao redor.
Termina assim o lado A do disco (lembrem-se, trata-se de um digipack).
06. Guerra
Os cavalos de guerra começam a correr e o sintetizador vem carregado por eles na introdução dando início assim a 2ª parte do álbum.
A letra é uma montagem com o poema Guerra de Nicolau Tolentino, cantada sobre uma urgente base ‘jazz de cabaré’.
07. Carta
Emoção à flor da pele eu diria.
Sente-se o poder das palavras e da interpretação aqui.
Não há como não se aterrorizar (e até mesmo ouvir novamente) o trecho final.
08. No 20º Aniversário Da Morte Do Poeta
Belo início sinfônico, e ao iniciar o vocal principal a faixa se torna calma, porém, por um curto período, em seguida o refrão, como se o povo falasse.
Mais uma vez José Luis Tinoco compôs uma bela melodia, e dessa vez para a letra baseou-se em um poema de B. Brecht.
09. Aprendiz De Feiticeiro
Mais uma vez os vocais múltiplos são muito bem vindos, abrindo caminho para os versos rápidos e urgentes que os intercalam.
Para completar o saxofone urgente de Rão se junta à base intrincada para fechar a música em grande estilo.
10. Dunas
Pra fechar em grande estilo uma das pérolas esquecidas do Rock Progressivo mundial temos Sinde Filipe declamando um bonito texto de Carlos De Oliveira logo seguido por um bonito tema de piano, baixo, saxofone e os já conhecidos vocais, fechando assim essa obra prima.
Infelizmente uma banda de um disco só (como tantas outras excelentes bandas), mas fico contente que tenha sido presenteado pelo amigo Nuno com essa reedição, que se não obter o destaque que o disco merece que pelo menos dê uma chance para que novos ouvintes o descubram.