Senogul – Tránsitos (Resenha Flávio Miguel)


Resenha: Flávio Miguel

Nota: 4

Senogul
Tránsitos
2005
Independente

Faixas:
1. Dr. Gull/Racionalidad – 4′44
2. Tango Mango – 11′17
3. Microcosmos Blues – 8′09
4. Travesía De Las Gaviotas – 2′49
5. La Mulata Electrica – 9′14

Formação:
Pedro Álvarez – guitarra e e-bow
Pablo Canalís “Cana” – baixo e percussão
Eduardo G. Salueña – teclados
Israel Sánchez – guitarra e vocais
Alex Valero “Danda” – bateria e percussão

Resenha:
Conheci a banda Senogul (nome de uma província espanhola) através de um colega (o guitarrista Israel) no ano passado.

Ao lado de Triana, Bloque e Mago de Oz, eles são uma boa referências do rock progressivo espanhol (conhecido como Andaluz).
Lançaram um álbum em 2004 fazendo cover de grandes clássicos (Yes, Genesis, King Crimson), e esse segundo, com músicas originais.

“Tránsitos” é um disco todo instrumental, sinfônico-progressivo com toques de flamenco, tango e outros elementos regionais, muito bem elaborados e adequados dentro do projeto. O disco contém cinco grandes obras.

A primeira (Dr. Gull) começa com teclados melancólicos, vai crescendo com a entrada de guitarras, baixo e bateria, até formar-se a segunda parte da música: Racionalidad. Para quem gosta de teclados duelando com outros instrumentos, gostará muito dessa abertura. “Tango Mango” começa lentamente também, mas logo se torna uma espécie de tango-rock, com aparência de acordeão no decorrer da música (que deve ter sido produzido pelos teclados). O solo de guitarra é também muito marcante nessa música.

“Microcosmos Blues” traz um clima psicodélico no início e logo se transforma em um jazz-fusion. Sem dúvida, uma grande obra do rock progressivo.

“Travessa de las Gaivotas” é uma pequena música solada na guitarra, e “La Mulata Elétrica” fecha o álbum com chave de ouro.

A música começa com a utilização de todos os instrumentos, faz uma pausa para palmas (parecendo-se com castanholas), e retorna à integração dos músicos. Ao chegar próximo dos nove minutos, os membros se encontram e retomam a introdução, concluindo harmoniosamente a música e o álbum. Eu não sou o único a considerá-la a melhor música do álbum!

Certamente o guitarrista inspirou-se muito em Steve Hackett, e os teclados levam o ouvinte de volta aos anos 70. Percebe-se que a banda toda toca em harmonia, todos participam e sabem que o que fazem é coisa séria.

Gostei muito da banda e deste disco, recomendo-o não só aos amantes do progressivo inglês, mas também aos que gostam da valorização da cultura local, como neste caso, da Espanha.

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