
Resenha: Diego Camargo
Nota: ![]()
Banda: Tangerine Dream
Disco: Force Majeure
Ano: 1979
Selo: Virgin
Tipo: Estúdio
Faixas:
1. Force Majeure – 18’18
2. Cloudburst Flight – 7’21
3. Thru Metamorphic Rocks – 14’15
Integrantes:
Edgar Froese – teclados/sintetizadores/guitarras e baixo
Christoph Franke – teclados e sintetizadores
Klaus Krieger – bateria e percussão
Edgar Meyer – cello
Resenha:
1. Force Majeure
Entramos em uma verdadeira viagem de sensores e sentidos, uma verdadeira corrida espacial indo ao encontro do total desconhecido.
É fácil perceber como os caras conseguiram compor pra tantas trilhas sonoras, porque simplesmente eles entendem do riscado, eles, como dizem os mais descolados, tem a manha.
Os minutos iniciais de Force Majeure (1979) são de uma trilha fictícia, se imagine no espaço, dentro de uma nave em direção do mais longínquo planeta, pois bem, se conseguirem entrarão no clima da faixa, e porque não dizer do disco num todo.
Aos 4 minutos é que temos as primeiras incursões dos pianos, guitarra, baixo e bateria. O som espacial continua, mas com a leve diferença que é tocado por instrumentos e não só pelos sintetizadores, teclados e programações.
O 7º minuto da canção nos brinda com outra surpresa… violão. Um ponto não muito comum no som do Tangerine Dream, quase uma programação humana. Baixo, bateria, violão e muitos, mas muitos teclados em melodias e sinergias.
O rock espacial do grupo chega ao ápice aos 9 minutos e meio quando um trem percorre os alto falantes.
As fugas sonoras estão por toda parte, é como se fosse a trilha sonora de 2001: Uma Odisséia No Espaço só que em tempo integral, imaginem só!
O quebra-cabeça japonês é outro título que me veio à cabeça, lembrei-me também do querido Kitaro com suas melódias orientais. Isso tudo por culpa da melodia que é trazida à nós pelo grupo aos 13 minutos.
Edgar Froese é o nome por trás de quase tudo, e tem uma maneira de compor bem concisa e precisa. Christopher Franke não fica pra trás e insere uma série de boas frases e linhas com suas mais variadas teclas.
Klaus Kruger retorna ao som da banda pouco depois dos 16 minutos com sua bateria hipnótica a la Kraftwerk, mas dura pouco porque logo em seguida quem entra na brincadeira são as programações e as camadas de teclados, colchas de retalho que pouco a pouco acrescentam novos fios e novas cores.
O final volta ao Espacial, indicando que não é o fim, mas o meio da viagem.
2. Cloudburst Flight
Estranho? Bastante! Uma melodia única e exclusiva ao… violão. Maravilhoso pra falar a verdade, estranho ver a banda investindo pelo menos uma parte de sua força composicional motriz na parte humana da coisa, não que os teclados não sejam humanos, já que há alguém por trás deles, mas acho que vocês conseguiram captar o sentido da coisa toda.
Essa coisa do Prog Eletrônico é animal! Eu adoro a maneira com que eles conseguiam criar camadas de som e boas melodias, normalmente tristes, mas ao mesmo tempo de uma alegria esfuziante.
Poucos segundos passaram depois dos 3 minutos de canção e loucos sintetizadores que aparecem em primeiro plano dão boas vindas à todos, adentramos os portões desse novo mundo, na faixa anterior viajávamos até eles, agora adentramos os portões. (Imaginem a capa do disco como um portal, um túnel. E agora imaginem que vocês estão adentrando esse túnel, e quanto mais vocês adentram menos vocês vêem, a não ser uma pequena luz no fim desse túnel). Difícil imaginar? Nem tanto! Façam uma força.
Na parte final (aos 6 minutos) parece que conseguimos pousar a salvo e agora faremos contato com o povo dessa nova terra.
3. Thru Metamorphic Rocks
Pois bem, estamos indo de encontro aos chefões da nova terra. Uma melodia caótica, nervosa, pungente, nos permeia o caminho ancorados pelos soldados.
Até solo de guitarra nessa melodia tem! (risos).
De repente, mais ou menos aos 5 minutos do tema, um ‘rocktrônico’ caótico persegue os viajantes que tentavam escapar da guarda real do planeta que visitavam, já que a guarda real não foi muito hospitaleira.
Os nossos heróis em desabalada carreira embarcam novamente em sua nave e tentam desesperadamente fugir, não sem antes serem perseguidos vorazmente pela guarda real.
Um sintetizador insiste em bater uma única nota cruel que chega ao nosso peito. As falas estranhas dos perseguidores através das máscaras protetoras tentam uma comunicação com a nave dos nossos queridos companheiros, mas é tudo em vão, só o que eles querem é escapar dali, já que a missão não foi bem sucedida.
Pelo caminho encontram todo o tipo de espécies, gritando e pedindo desesperadamente por socorro, pra que as tirem dali também, mas não é possível, não naquele momento, eles já tem problemas demais tentando escapar sozinhos, levar mais gente só iria atrapalhar e eles com certeza seriam pegos.
Nervos à flor da pele, todos muito nervosos. As sirenes espaciais clamam por vidas e por justiça.
Depois de conseguir escapar da constelação inimiga aos poucos a calma e a consciência retomam o lugar que deveriam ter. Estão de volta aos lares e braços dos seus.
Ok, ok. Eu aproveitei o tema espacial do disco e viajei, mas se o rock Espacial/Eletrônico, não servir pra isso, vai servir pra quê então? (risos)
Mas, se não gostaram do tema, é só pensarem nos seus próprios temas, boa diversão!