TEE – The World Explorer (Resenha Diego Camargo)


Resenha: Diego Camargo

Nota:  

TEE
The Earth Explorer
2009
Musea

Faixas:
1. L’oiseau Bleu (Trans Europ Express) ~ Departing For The Future ~ – 8’25
2. Nomad ~ Exotic Landscape ~ – 7’52
3. Sirocco Chase ~ Sailing For A Mystic Palace ~ – 7’15
4. Col De L’Iseran ~ Arduous Path Of Mankind ~ – 8’08
5. Aurora ~ Breath Of The Earth ~ – 7’23
6. City ~ Land Of The Living ~ – 8’07

Integrantes:
Kenji Imai – flauta
Ryuji Yonekura – teclados
Takayuki Asada – bateria
Yukio Iigahama – baixo
Katsumi Yoneda – guitarra

Resenha:
1. L’oiseau Bleu (Trans Europ Express) ~ Departing For The Future ~
Em primeiro lugar uma coisa DEVE ser dita. Logo de cara parece que estamos ouvindo um disco esquecido dos anos 70, tal a perfeita escolha de timbres para o Rock Progressivo executado pela banda japonesa.
Eu sendo baixista fiquei particularmente contente com o timbre de baixo de Yukio Iigahama.
O engraçado é que em vários momentos o som calmo e introspectivo da banda me lembrou algum outro som, mas não um som específico, imagino que isso se deva porque a banda parece ter um caldeirão de influências, como Van Der Graaf Generator, Yes, Pink Floyd, King Crimson e Focus, só pra citar algumas.
Belíssimas linhas de guitarra de Katsumi Yoneda com nuances leves e bem trabalhadas com os teclados de Ryuji Yonekura e as flautas de Kenji Imai. Enquanto isso no fundo, porém sem ficar pra tás, Takayuki Asada segura muito bem a base da banda na bateria.

2. Nomad ~ Exotic Landscpae ~
Complexo, urgente, e mesmo assim bonito! Essa banda chegou com tudo, em um momento em que os anos 70 foram redescobertos, porém todos dão seus ‘toques pessoais’ à eles, não é diferente nesse caso, porém, por aqui os anos 70 são revisitados de maneira perfeita, mas não como uma cópia e sim como se a banda tivesse saído diretamente daquela década.
Impressionante!
Belíssima passagem acústica na segunda metade da música. Calma e bela.
É impressionante a abordagem de flauta de Kenji, completamente diferente de todos os flautistas do Rock Progressivo que eu já ouvi. Inovador!

3. Sirocco Chase ~ Sailing For A Mystic Palace ~
Tema que tem o início contagiante, cheio de emoção, e aos poucos se torna belo e por que não, sentimental. Por aqui as guitarras de Katsumi são o destaque melódico, belas linhas.
Na parte final da música ela se torna energética novamente e a flauta toma conta do tema.

4. Col De L’Iseran ~ Arduous Path Of Makind ~
Por aqui aparece o sintetizador pela primeira vez de maneira evidente, outra coisa que percebemos logo de cara é o ritmo totalmente quebrado. A banda gravou vocais nessa faixa, o que na minha opinião ficou extremamente interessante, eles poderiam apostar mais nisso no próximo disco.
Pouco mais de dois minutos, o som da água e o belo violão trazem uma paz ao ouvinte.
O final da música nos traz quase um circo, ou pelo menos uma boa música de festa. Maravilhoso tema!

5. Aurora ~ Breath Of The Earth ~
Faixa calma, como o nome sugere (Aurora – A Respiração Da Terra), essa música me lembrou um pouco dos temas usados em animês (desenhos japoneses), eles conseguiram retratar paisagens nessa música, justamente como o nome do disco e das faixas sugere.
Aos quatro minutos uma linha de baixo fantástica com o piano ao fundo e guitarras que ‘gritam’ enquanto violão e bateria fazem a música soar naturalmente.
Intrigantes teclados aos seis minutos e meio, uma espécie de ‘som das fadas’, o que veio bem a calhar com o resto da sonoridade da faixa.
É incrível o quanto a banda soube escolher bem os timbres para o disco.

6. City ~ Land Of The Living ~
Acredito que a faixa mais ‘fusion’ do álbum. Guitarra e flauta dobram a mesma linha enquanto bateria e baixo soam ‘tortas’ com seus compassos estranhos aos ouvidos.
Quatro minutos, param todos os instrumentos, somente o baixo fica como marcação de tempo em uma nota ininterrupta, pelo menos até a flauta começar a soar. O que se ouve a seguir é um tema em tempo quebrado e com praticamente todos os instrumentos dobrando a melodia principal.
E terminamos assim uma das melhores surpresas que já ouvi nesse ano e nos últimos anos.

A banda soube exatamente como dosar o disco, pouco mais de 47 minutos de duração com 6 composições. O que normalmente me incomoda, a falta de vocais, por aqui passa despercebida porque o grupo ‘canta’ com os instrumentos e sabe maravilhosamente bem como escolher os timbres dos mesmos.
Como eu disse no início do texto, a banda não emula o som dos anos 70, a banda SAIU de lá, mesmo que isso não seja verdade.
Uma ótima audição para todos os amantes do Rock progressivo!

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