
Resenha: Diego Camargo
Nota: ![]()
Banda: Tohpati Ethnomission
Disco: Save The Planet
Ano: 2010
Selo: Moonjune Records
Tipo: Estúdio
Faixas:
1. Selamatkan Bumi (Save The Planet) – 9’07
2. Bedhaya Ketawang (Sacred Dance) – 8’31
3. Drama – 1’47
4. Ethno Funk – 8’38
5. Gegunungan (Gateway Of Life) – 2’56
6. Hutan Hujan (Rain Forest) – 8’42
7. Biarkan Burung Bernyanyi (Let The Birds Sing) – 7’27
8. Inspirasi Baru (New Inspiration) – 4’13
9. Perang Tanding (Battle Between Good & Beast) – 8’16
10. Pesta Rakyat (Festive People) – 5’10
11. Amarah (Anger) – 2’34
Formação:
Tohpati – guitarra elétrica e synth guitar
Indro Hardjodikoro – baixo
Diki Suwarjiki – suling (flauta da Indonésia)
Endang Ramdan – percussão (kendang, gongo e kenong)
Demas Narawangsa – bateria e percussão (rebana e kempluk)
Músico convidado:
Lestari – voz (2)
Resenha:
O Tohpati Ethnomission é um grupo da Indonésia, isso mesmo, Indonésia. E logo temos em mente um tipo exótico de música, não que ela também não faça parte da gama sonora do grupo, mas não é o foco principal, aqui o que vale é juntar os dois.
A mente por trás da banda é Tohpati (guitarras), que também faz parte do grupo simakDIALOG.
Em Save The Planet (2010), primeiro disco do Tohpati Ethnomission ele é acompanhado por ro Hardjodikoro (baixo), Endang Ramdan (percussão), Demas Narawangsa (bateria e percussão) que tinha apenas 16 anos na gravação do disco, Diki Suwarjiki (suling, uma flauta da Indonésia) e Lestari (voz na faixa 2).
1. Selamatkan Bumi (Save The Planet)
Save The Planet (2010) começa absurdamente bem com ‘Selamatkan Bumi’, em seus 9 minutos o grupo encontra a mistura perfeita entre melodia e técnica.
É claro que temos influências do país de origem da banda na música produzida, é uma coisa natural, especialmente com a ajuda da percussão. Mas o que impera aqui é o grande Jazz Rock/Fusion cheio de ritmo e dinâmicas, daqueles que se pode aumentar o som e sair pulando pela sala (estranho? Eu não acho!).
Riffs rápidos e marcantes são entoados como vozes, fazendo com que a faixa seja deliciosa de se ouvir.
2. Bedhaya Ketawang (Sacred Dance)
Quebrando completamente o clima inicial, a segunda faixa traz à tona lembranças de Camel e Mahavishnu Orchestra.
Somente quando o vocal aparece é que fica realmente interessante, até esse ponto a música me soava entediante.
O vocal de Lestari não pode ser comparado com nada ‘secular’, e é estranho aos ouvidos num primeiro momento, mas logo que se acostuma com ele, é lindo e diferente.
A faixa toma um outro rumo depois, interessante. Mas volta para o tema inicial, o que é decepcionante. O destaque dessa parte é a flauta de Diki, assim como no disco todo.
3. Drama
‘Drama’ é curta, mas que peça!
Reminiscente de Robert Fripp e o seu King Crimson a estranha escala tocada pela guitarra de Tohpati é contraponto aos outros instrumentos de forma soberba.
Totalmente excelente!
4. Ethno Funk
Colada em ‘Drama’ mals percebe-se que a faixa mudou.
A excelência continua. E Tohpati deveria sempre apostar nesse som mais ‘elétrico’, ‘pulsante’.
A percussão de Endang pode passar despercebida, mas é ele o responsável pelo ‘balanço’ no som do grupo. E Indro com seu baixo de timbre gravíssimo é um prazer aos ouvidos. Não costumo gostar desse timbre que ele usa no disco, mas é perfeito no caso do grupo.
Dizer que as guitarras de Tohpati são ‘estranhas’ é o mínimo. Elas realmente são. Mas acredito que esse é o trunfo, sair da mesmice diária e entregar ao ouvinte algo diferente e único. Eles conseguem!
5. Gegunungan (Gateway Of Life)
Como eu disse anteriormente, apesar da inegável qualidade que apresentam em todas as faixas, as músicas mais calmas são chatas aos meus ouvidos, e apesar de demonstrar uma técnica invejável na guitarra, Tohpati pode oferecer muito mais.
6. Hutan Hujan (Rain Forest)
Basicamente uma continuação natural da faixa anterior, mas com um peso melódico agradável.
As passagens de guitarra e suling (flauta natural da Indonésia) são soberbas, melodias completamente baseadas no jazz e excelentes.
E é realmente incrível ouvir Demas em sua bateria, ainda mais sabendo que ele tinha apenas 16 anos quando gravou esse disco.
7. Biarkan Burung Bernyanyi (Let The Birds Sing)
Melodias para vídeo game? Talvez, não seria estranho ver essa melodia em qualquer RPG estilo clássico como Zelda e tantos outros.
Novamente ouvimos as sobras de guitarra e flauta, na verdade, esse é o som que faz com que o Tohpati Ethnomission tenha identidade própria.
Pouco depois do 2º minuto uma para completa, então temos somente flauta por um tempo. Quebra de clima interessantíssimo.
A faixa assume outra forma logo em seguida, flauta atmosférica e guitarra produzindo uma bonita melodia.
8. Inspirasi Baru (New Inspiration)
A guitarra continua com o mesmo timbre, o que poderia ter sido mudado. Não que isso arruine a oitava faixa de Save The Planet (2010), até porque uma passagem cheia de efeitos eletrônicos aparece logo em seguida, mas uma riqueza maior de timbres acresceria ainda mais pontos positivos ao disco.
Mas o dono de ‘Inspirasi Baru’ é Indro, que simplesmente destrói o seu baixo em um solo arrasador e fantástico.
9. Perang Tanding (Battle Between Good & Beast)
Riff inicial matador. É sempre interessante ouvir bandas que usam passagens iguais em todos os instrumentos dessa maneira. Acho que é uma marca do Rock Progressivo.
Essa é uma faixa mais ‘rock’, cheia de energia e algumas melodias que lembram os bons momentos de Frank Zappa.
Mas é lá pelo 2º minuto que o lado progressivo é mostrado de verdade. Pra ilustrar o nome da música (A Batalha Entre o Bem E A Besta), a dinâmica muda, muito interessante.
10. Pesta Rakyat (Festive People)
Grande trabalho no chimbau do baterista Demas. Em seguida me arriscaria a dizer que é uma influência country que ouvimos, de leve, mas é.
Como o nome sugere… festa, sempre bem vinda.
11. Amarah (Anger)
Raiva! Pois bem, essa é a tentativa de sentimento a ser passado aqui.
Com ‘Freedom Of Expression’ de J.B. Pickers como influência (a famosa música de abertura do Globo Repórter), Tohpati finaliza o álbum acompanhado apenas de guitarras.
Save The Planet (2010) vale a audição! E se você gosta de jazz rock/fusion a audição vale ainda mais.
O disco tem algumas irregularidades, mas é possível ver claramente o futuro brilhante de Tohpati como guitarrista e músico. É aguardar pra ver… e ouvir, é claro.