
O Tempo
2007
Masque Records
![]()
Faixas:
01. Seres Imaginários – 3′35
02. Saga – 6′04
03. O Som Do Silêncio/A Porta -5′35
04. Búfalos Audazes – 6′04
05. Lamento Das Horas/O Tempo – 4′58
06. Ainda Que Tarde – 4′33
07. Trem Do Futuro – 5′53
08. Olho Do Tempo/Onda Brava/Tempo Nu – 5′45
09. Na Trilha Do Diabo – 3′36
10. O Homem Antigo – 4′04
Integrantes:
Paulo Rossglow – voz/tamborim
Ulisses Germano – flute e bandolin
Marcelo M. Leitão – guitarras/violões/narração na faixa 8 e vocais
Sidarta Guimarães – violinos
Marcos Bye Bye – bateria
João Victor – teclados
Alan Kardec Filho – baixo
Músicos convidados:
Marcos Pessoa – baixo nas faixas 1,2,5,6,9 e 10
George Frizzo – baixo nas faixas 3,4,7,8
Edson Filho – teclados nas faixas 4,7
Álvaro Luis – guitarra steel na faixa 4
Julinho Silva – teclados nas faixas 5,6,8
Claudy Guedes – vocais na faixa 5
Gilmar Moura – teclados na faixa 9 e 10
Diogo Araújo – harmônica na faixa 9
Carlos Macedo – vocais na faixa 9
Resenha:
01. Seres Imaginários
Inicio ‘medieval’ com bandolins e flautas, logo em seguida mudança total, adentram os instrumentos que caracterizam o Rock Rock And Roll.
E em seguida o vocal de Paulo Rossglow entra em cena cantando de maneira abstrata como o nome da música sugere.
Pouco mais de 2 minutos, uma pausa e um ótimo interlúdio de teclados de João Victor.
Uma grande faixa de introdução.
02. Saga
Denso, esse é o começo da segunda faixa do disco, logo aos 30 segundos um riff rápido, urgente e ao fundo o violino de Sidarta Guimarães.
A guitarra de Marcelo Leitão é presença constante em toda a faixa, sempre fazendo ‘camas’ melódicas. Pouco antes do 3º minuto da música é a vez de Marcos Pessoa encaixar um pequeno solo de baixo, sempre achei que o Rock Progressivo fica melhor com o baixo mais ‘afiado’ e ‘metálico’, nesse caso fica evidente o uso de sons mais tradicionais no caso do baixo.
Vocais vem à frente, e a faixa termina agressiva.
03. O Som Do Silêncio/A Porta
Bela introdução acústica com violão, flauta e violino.
Na segunda parte a música fica mais sinfônica. Aos 2 minutos e meio os vocais soam proféticos e fortes. Como em um canto gregoriano. Aos 4 minutos e meio um ótimo solo de sintetizador de Edson Filho, que acaba se tornando parte do verso todo a partir dali.
04. Búfalos Audazes
A guitarra steel de Álva Luis no início me lembrou um pouco David Gilmour e sua fase The Division Bell.
Após a longa introdução a melodia que acompanha o vocal é calma e tem levada mais pop, mas no sentido ‘já ouvi essa melodia antes’, uma bela melodia diga-se de passagem.
Vale a pena prestar atenção maior a letra da canção. Muito boa por sinal.
05. Lamento Das Horas/O Tempo
O lado folk da banda funciona muito bem nesse tipo de introdução, piano, flauta e violino em comunhão.
Após a breve passagem é o momento da guitarra entrar em cena, sempre junto da bateria de Marcos Bye Bye, e nesse caso, dos vocais a la The Great Gig In The Sky de Claudy Guedes.
Os teclados ao fundo tem um tom fúnebre, o que o vocal e a melodia que o acompanha só comprovam. Engraçada a segunda parte vocal, quase como um faroeste tímido, para logo em seguida desembocar em sinos.
06. Ainda Que Tarde
Ainda Que Tarde vem na cola de Lamento Das Horas/O Tempo e mais uma vez deve ser ouvida com atenção especial para as letras, um ponto alto da banda, boas letras, coisa que nem sempre fácil de se encontrar, mesmo dentre as bandas de Rock Progressivo.
07. Trem Do Futuro
A faixa que dá nome á banda, como não poderia deixar de ser, traz sons de trem no início e tem pegada mais pesada, a la Jethro Tull, por se tratar de uma faixa Rock/Blues com flautas, interessante.
Aos 2 minutos um solo de violino e logo em seguida um interessante solo de teclado de Edson Filho.
08. Olho Do Tempo/Onda Brava/Tempo Nu
Complexo e inusitado o início da 8ª faixa do álbum, digo inusitado porque até o momento o disco apresentou um Rock Progressivo Sinfônico/Folk com muita competência, nesse início uma intrincada linha com paradas foi muito bem colocada. Não acho que o teclado ao fundo combina com o restante da música, até porque, logo em seguida o timbre de piano foi muito bem escolhido. Se tem uma coisa que não me agrada no Rock Progressivo mais novo é o uso de timbres de teclados do início dos anos 90, um som um tanto falso e sem vida.
No ‘refrão’ da música a flauta de Ulisses Germano sola ensandecida e a bateria tem ótimas frases.
Na segunda parte Marcelo M. Leitão se aproveita de efeitos vocais pra narrar um tema evocativo para que na sequência a parte final da canção seja levada por violão, bandolim, violino e flauta. Bela passagem.
09. Na Trilha Do Diabo
Um blues! Achei interessante o timbre e a maneira com que Diogo Araújo inseriu sua harmônica nessa faixa.
Não sei bem o que dizer sobre a música em si, apesar de gostar de blues acho que a faixa não se encaixa no contexto geral do disco.
10. O Homem Antigo
A faixa de encerramento do disco é mais rápida, mais direta, apesar das flautas, mais uma vez acho que destoa um pouco do foco do álbum, mas tem bons momentos.
No geral um ótimo disco, com exceção das duas músicas finais, que na minha opinião destoam um pouco com o conceito do disco, um excelente lançamento em nossas áridas e sedentas terras.
Texto: Diego Camargo