Violeta De Outono – Volume 7 (Resenha Diego Camargo)


Resenha: Diego Camargo

Nota: 5

Violeta De Outono
Volume 7
2007
Voiceprint/Rock Symphony

Faixas:
1. Além Do Sol – 5′20
2. Caravana – 4′34
3. Broken Legs – 3′08
4. Eyes Like Butterflies – 6′02
5. Em Cada Instante – 5′12
6. Pequenos Seres Errantes – 7′49
7. Ponto De Transição – 3′48
8. Fronteira – 10′19

Integrantes:
Fabio Golfetti – voz e guitarra
Claudio Souza – bateria
Gabriel Costa – baixo
Fernando Cardoso – teclados

Resenha:

1. Além Do Sol
Apesar de ser o Violeta De Outono que conhecemos a banda ganhou uma sonoridade completamente diferente, em parte pelos teclados, principalmente o órgão Hammond de Fernando Cardoso. Mas o baixo de Gabriel Costa também é influência direta, existe uma grande diferença entre o estilo de Ângelo Pastorelo (baixista original da banda), que toca com palheta e Gabriel que toca com o Pizzicato (dedos).
Sem contar que, a gravação ao vivo privilegiou, e muito, a sonoridade concisa da banda.
O chamado Canterbury, som fundado por bandas como Soft Machine e Camel tomou sua forma total nesse disco, não que a atmosfera psicodélica do início de gente como o Pink Floyd e Gong tenham sumido, de maneira nenhuma, elas ainda estão presentes, mas de uma outra maneira.

2. Caravana
O clima é espacial, calmo, tranqüilo, pelo menos até chegarmos perto do segundo minuto da música, quando o Hammond toma conta do som e a banda engata um ritmo mais enérgico.
A guitarra de Fabio é sempre um caso à parte, cortante, correta, precisa, gosto do som que ele tira de suas Fenders.
Os vocais etéreos fazem você viajar, literalmente, sem nenhum ‘aditivo’, basta sentar-se confortavelmente pra escutar a faixa.
A faixa me parece uma homenagem direta a banda inglesa Caravan.

3. Broken Legs
Se eu não conhecesse a banda não diria que ela é brasileira, ‘Broken Legs’, a terceira faixa do álbum foi composta por Fernando Alge (junto com a próxima faixa do disco) e tem um ritmo sincopado e mais alegre, incluindo alguns trechos em que Fabio utiliza a técnica do ‘glissando’ (técnica que consiste em utilizar um objeto metálico nas cordas da guitarra para se obter diferentes sons).

4. Eyes Like Butterflies
Uma coisa é certa, Fernando Cardoso faz uma diferença enorme no som da banda, para quem, assim como eu, ouviu os discos anteriores da banda sabe do que eu estou falando, o uso do Hammond ficou perfeito com a sonoridade das canções.
O refrão é uma beleza sublime… ‘eyes of the morning sun…’, perfeito!
Gosto muito da seqüência de baixo e bateria logo após o 1º refrão, a dupla Gabriel, Claudio Souza conduz muito bem a melodia que acompanha o verso, e na seqüência o maravilhoso refrão.
Acho que uma das minhas preferidas do disco.
Pouco depois dos três minutos de canção Fernando souza um poderoso solo com seu Hammond.
Definitivamente a gravação do disco nos estúdios MOSH (um dos melhores da América Latina) fez diferença no resultado final.

5. Em Cada Instante
Composição em parceria entre Fernando Cardoso e Fabio Golfetti.
O que mais me chamou atenção no disco como um todo foi a unidade que a banda conseguiu dar num todo, Volume 7 (2007) não soa como um disco de canções à parte, mesmo quando sabemos que três das oito músicas foram compostas bem antes desse disco ficar pronto. Muitas vezes ouvi discos em que todas as músicas parecem uma só, e não me refiro a discos conceituais como The Wall (1979) do Pink Floyd , por exemplo, não, me refiro a discos em que todas as canções soam como uma só mesmo. Aqui o Violeta De Outono conseguiu manter uma unidade tão grande que o disco toca, sem percebermos que as canções estão passando, isso meus caros amigos, é o que eu chamo de um disco que ‘flui’ com perfeição.

6. Pequenos Seres Errantes
Como o próprio Fabio revelou, essa faixa foi composta originalmente para o projeto Invisible Opera Company Of Tibet, e utiliza na sua totalidade a técnica glissando. E posso dizer que é incrível a sonoridade da faixa. Poética, sem nem mesmo ter palavras, psicodélica, espacial, viajante, ‘ondular’ (por algum motivo essa palavra me veio à mente enquanto eu ouvia essa faixa, risos). Dessa vez o órgão presente tão densamente nas faixas anteriores sabiamente é trocado pelos sintetizadores, sons são disparados ora aqui, ora ali, coisa de quem já tocou muito Rock Progressivo (Fernando já tocou em bandas cover de Yes e Rush), inclusive o solo que aparece perto do sétimo minuto de canção nos mostra isso claramente.
Descansem seus corpos, relaxem e viajem um pouco dentro de suas cabeças.

7. Ponto De Transição
Dessa vez o piano dá o som. A voz de Fabio é frágil, mas acredito que é isso que dá a beleza que ela tem, nunca gostei de bandas que tem ‘vocalistas de verdade’, na minha opinião os melhores vocalistas são pessoas que ‘não tem voz’ para cantar, gente como Geddy Lee (Rush), Roger Waters (Pink Floyd , solo), Peter Gabriel (Genesis, solo) ou saindo um pouco do campo Progressivo, Ozzy Osbourne (Black Sabbath, solo), e Fabio Golfetti está nessa lista.
Bela melodia!

8. Fronteira
Acredito que a faixa de encerramento do disco seja influência direta de Camel, o baixo, a bateria, os teclados, o estilo melódico, totalmente Camel da fase Mirage (1974)/Moonmadness (1976). Mas não uma cópia, influência direta mesmo.
O órgão aos 3:20 chega a dar medo com tamanha quebra de melodia que o mesmo causa, e logo em seguida a música toma forma completamente diferente, com riff em tempo quebrado e ‘apocalíptica’. Quando a banda volta ao tema original quem chama atenção é Claudio com sua linha de bateria intrincada e quebrada.
A repetição da parte ‘estranha’ vem ainda mais estranha, torta, fora do tempo, e bem soturna, ótima faixa, junto com Eyes Like Butterflies minha faixa preferida.
Terminamos o disco com a sensação de que acabamos de ouvir um dos melhores lançamentos nos últimos 20 anos.
Parabés à banda! Fico esperando que o próximo disco que já está em processo de composição e que pode sair na segunda metade de 2010 seja tão bom quanto esse, e será!!!

Acho que não é necessário dizer que esse, pra mim, é o melhor disco da banda e o melhor disco no estilo já lançado por terras brasileiras, se o Violeta De Outono tivesse nascido na Inglaterra, seria um clássico mundial!

O CD vem com uma faixa extra em formato vídeo gravado nas mesmas sessões do álbum, trata-se de uma música do Santana ‘Let The Children Play’, vocês podem ver esse vídeo AQUI.

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