Entrevista E Resenha Exclusivas Com O Tempus Fugit


Progshine – Foi um longo e árduo processo até o lançamento de Chessboard (2008), não? Quando foi que ele começou exatamente?

Ary – Sim, 9 anos de um CD para outro pra ser mais exato! Diríamos que parte das músicas começou a ser compostas já em 2000. No festival de Los Angeles mesmo, o André já esboçava trechos de Chessboard (2008) em nossas músicas do Tales From A Forgotten World (1997) a sede de composição era imensa, e sempre queríamos estar junto mexendo aqui e ali com as canções, uma espécie de brincadeira punch-out (recorte e cole), algo do tipo. Tivemos também muitos problemas pelo meio do caminho, quase perdermos parte das gravações feitas pela bateria já em 2001.

André M. – Como não gravamos regularmente as composições se misturam. Existem músicas do CD Chessboard (2008) que nasceram em 1998 e outras de 2001.

Progshine – E como ocorreu o processo de composição? Imagino que já que o processo de gravação levou tempo as músicas foram mudando com o tempo, ou não?

André – Sim… isso sempre acontece. Até o momento da gravação ou no nosso caso até mesmo depois modificamos solos e linhas melódicas. Dizem que agente não termina um CD, agente abandona. E é verdade. Sempre tem alguma coisa que dá pra melhorar. Mas pelo tempo que tivemos na gravação do Chessboard ele é o nosso trabalho mais redondo. Na minha opinião não mexeria em praticamente nada do que está lá gravado. O que não posso dizer sobre o Tales From A Forgotten World (1997), por exemplo. As composições chegam ao ensaio normalmente com uma estrutura definida. No entanto, o que eu mais gosto é que os outros dêem opiniões e acrescentem seu toque pessoal na composição. Talvez aí esteja o entrosamento entre nós.

Progshine – Como o trabalho tem sido recebido por público e critica até agora?

Ary – Esse trabalho em especial tem sido uma surpresa para todos nós, a expectativa pelo Chessboard era maior do que esperávamos, a 1ª prensagem vendeu rápido demais. Está sendo extremamente satisfatória pra eu ter voltado a tocar com o grupo, e saber que boa parcela dos fãs nos querem na ativa!

André – Felizmente tem sido muito boa. Concorremos até ao Progwards de melhor álbum estrangeiro de 2008. As críticas que li tem sido generosas e reconhecem a evolução da banda. As pessoas nos conheciam estavam realmente esperando pelo CD.

Progshine – O Tempus Fugit já tem um nome dentro do cenário Progressivo brasileiro, vocês acham que a persistência e crença no próprio trabalho é fundamental dentro desse difícil cenário musical?

Ary – Acho que se agirmos de forma disciplinada e correndo atrás de nosso real valor, teremos sempre algum resultado satisfatório, mesmo que não agendemos grandes shows, porém fazemos bons contatos e algumas parcerias.

André – Pois é… tem que gostar mesmo de progressivo pra seguir na estrada. Poucos lugares pra se tocar, downloads em todo lugar, críticas destrutivas, divulgação quase zero, etc… Fazemos porque gostamos mesmo. Mas se fosse pra viver disso, certamente não teria, por exemplo, um Minimoog. Acho que acreditar no trabalho que é a nossa música é fórmula de continuarmos na estrada a mais de 13 anos.

Progshine – Por falar nisso, quando a banda foi criada? Contem um pouco sobre vocês para quem ainda não os conhece?

Ary – Tudo começou quando o André Mello (teclados) e Márcio de Almeida (bateria), formadores e membros da banda Visagem de Pandora, resolveram começar um novo projeto e convidaram dois velhos amigos: Bernard (baixo) e Henrique Simões (guitarra e violão) para fazer parte da banda. O nome Tempus Fugit foi inspirado no título de uma das canções da banda Yes, de quem André sempre foi muito fã. Semanas depois, Bernard deixou a banda para seguir sua carreira de designer. Henrique então convidou seu primo Ronaldo Simões para assumir o baixo. Esta primeira formação da Tempus Fugit gravou duas músicas que mais tarde fariam parte do disco debut da banda. Logo depois, com a saída de Márcio, a banda precisou de um novo baterista. Nessa época, a banda realizou alguns shows com César Lanzarini como Narrador e o baterista Marcio Fernandez. Eu , que me encontrava com André Mello em diversos eventos de Rock Progressivo no Rio de Janeiro, fui convidado para entrar na banda no início de 1996. No mesmo período, Bernard retornou para a banda. Esta nova formação gravou uma fita k7 demo. Deu-se início ao trabalho de divulgação visando chamar a atenção dos grandes selos da Música Progressiva, principalmente no Brasil.
Ainda em 1996, assistimos com amigos o primeiro RioArt Rock Festival´96, no Rio de Janeiro, que contou com atrações de peso como: Minimum Vital (França) e Solaris (Hungria). Nessa ocasião distribuímos as poucas unidades de fitas k7 demo entre o público do festival. A partir daí começaram então a surgir propostas de publicações e gravadoras. Em 1997, o selo brasileiro PC Mellody adotou a banda para lançamento do seu primeiro CD, Tales From A Forgotten World (1997). O trabalho ganhou enorme reputação no Japão, Europa e EUA, de modo que provavelmente foi a banda progressiva brasileira de maior destaque nessa época.
Em 1998, foi lançado pela Rock Symphony The Official Bootleg – Feb 98 (1998), CD que registra o último show realizado com a primeira formação da banda. Hoje a banda é formada com André Luis Ribeiro no Baixo.

Progshine – Em Chessboard (2008) temos alguns convidados como Mirna Bertling e Fernando Sierpe nos vocais, José R. Crivanno na guitarra e Pedro Peres no baixo, como esses nomes chegaram até a banda?

Ary – Fernando sempre foi um grande amigo e eu admirava muito seus trabalhos com bandas de Heavy Metal, e o que me chamava muito a atenção era sua capacidade de cantar com maestria sem com isso exagerar em muitos aspectos que o próprio Metal se destina, dependendo da proposta, tornava-se um estilo sempre muito gritado e com projeções vocais acima do normal. O Fernando não tinha essa característica, era mais um vocalista para bandas Sinfônicas e Épicas, então achei que se encaixava perfeitamente nas linhas vocais mais densas que a Tempus procurava em algumas canções, e contatei a banda para saber se todos estavam de acordo com sua participação. O resultado vocês conhecem! Lembrando também que ele participa dos vocais de ‘Discover’ do nosso 2º CD The Dawn After The Storm (1999).

André M – Pedro P. substituiu André Ribeiro no show em Los Angeles (Progfest 2000), pois ele não conseguiu o visto. Depois tocou conosco durante um tempo que o André R. esteve afastado da banda. Aí, o convidamos pra gravar ‘The Princess’. Assim foi também com José R. Crivanno. Foi ele que tocou no Progfest 2000 no lugar do Henrique que não tocou por não ser liberado pela Aeronáutica (ele é Sargento músico) na época. E a Mirna Bertling conhecemos na escola de música onde eu trabalho. A chamamos pelo seu timbre de voz que foge dos padrões de vocalistas atuais que conhecemos. Seu timbre é suave e combinou com a música (The Princess) e se encaixou bem com o meu timbre vocal também.

Progshine – O disco tem um certo romantismo no que se refere às letras, Chessboard (2008) tem algum conceito ou foram apenas coincidências?

André – Coincidência. Chessboard (2008) especificamente fala de um relacionamento complicado. Meu irmão Alexandre Mello é o letrista principal da banda. Minha letra neste Cd ‘Only To Be With You’ fala de uma busca por Deus. Curiosamente, uma resenha sobre um dos nossos CD’s na Itália anos atrás já tinha comentado sobre este aspecto romântico que temos. Acredito que o aspecto romântico apareça mais nas melodias que componho. Sou fã de Tchaikovsky, Chopin, 14 Bis, Anyone’s Daughter, Yes , Guilherme Arantes, Supertramp, etc… isso se reflete nas minhas músicas.

Progshine – Se tivessem que definir os 3 discos de estúdio do Tempus Fugit como os descreveria?

Ary – Uma mistura, de uma forma bem equilibrada, com passagens de grande harmonia e melodia suave, seguida por trechos mais vigorosos.

André – Tales From A Forgotten World (1997): O pontapé inicial. Nossa… tudo era novidade. Tivemos uma graaande (sic) ajuda do técnico Alex Frias neste álbum. Ele ajudou a cortar as arestas e deu muitas sugestões que ajudaram muito no resultado final. As composições eram recentes (‘The Lord…’ ‘Song For Distant Land’) e bem antigas como ‘Goblin’s Trail’ e ‘War God’ que são algumas de nossas 1ºas músicas. Foi bem distribuído o que nos proporcionou um alcance muito bom mundo afora. A arte gráfica do Bernard (baixista e designer) marcou bastante. Depois desta capa ele fez várias para bandas nacionais neste estilo.
The Dawn After The Storm (1999): Neste já sabíamos o que queríamos. As músicas estavam bem definidas nos arranjos. Estávamos melhores como músicos e as composições mantiveram o nível do álbum anterior. Músicas novas como ‘Discover’, ‘Never’ e ‘Tocando Você’ se misturavam com composições de 1993, 94 como o ‘O Dom De Voar’, ‘The Fortress’ e ‘The Dawn After The Storm’. Gosto bastante deste álbum. Nesse já tinha comprado meu Minimoog, um sonho realizado. Alex Frias novamente como técnico e o novo baixista (André Ribeiro) só enriqueceram ainda mais o nosso som.
Chessboard (2008): O mais difícil de todos. A composição ‘Chessboard’ com quase 20min foi um marco pra mim como compositor. Mas o mais resolvido. O tempo jogou a nosso favor. Arranjos, letras, solos, músicos foram mudando durante esses anos até o lançamento. A volta do Bernard na parte gráfica foi um presente pra nós. Som e imagem se fundiram e criaram uma identidade. Anderson Costa, o técnico de som do Chessboard (2008), ajudou bastante no processo de gravação dando a banda uma sonoridade clara e encorpada. As participações foram muito felizes, vide o solo da música ‘The Princess: Parte 2′ feita por José R. Crivanno que ficou muito bonito. Um trabalho de equipe que nos orgulhamos muito.

Progshine – O digipack de Chessboard (2008) é caprichado e muito bonito. Vocês acreditam que hoje, mais do que nunca, uma boa apresentação é tudo?

Ary – Claro que hoje em dia para se fazer um trabalho nesses moldes é algo extremamente audacioso e muito caro, mas como sempre prezamos muito pela parte visual, um dos pontos fortes da banda, um digipack a essa altura do campeonato não seria nada mal e quem mais ganha com isso somos nós fãs.

André M. – Se é… Fomos felizes em ter o Bernard novamente neste trabalho. Ele tem muito bom gosto e conhece bem o nosso som. O mérito é dele. O digipack luxuoso é uma forma de incentivar a comprar o álbum original e não que ele vire mais uma pastinha de arquivo MP3 num computador de alguém. Mas é uma coisa que não se pode lutar mais pelo jeito… é a vida. A verdade é que nem sei se vai haver um próximo álbum nosso. Composições novas e velhas não faltam graças a Deus.

Progshine – O primeiro disco do grupo Tales From A Forgotten World (1997) foi relançado pela Masque Records. Há planos para o relançamento do 2º álbum The Dawn After The Storm (1999) também?

Ary – Numa recente conversa com André Mello, cogitamos a possibilidade de vir á tona com esse projeto, já que o The Dawn After The Storm (1999) está praticamente esgotado, então já que o Tales From A Forgotten World (1997) está rendendo boas críticas, porque não relançar o The Dawn After The Storm (1999) que está aniversariando em 2009! E tudo indica que teremos umas surprezinhas nesse relançamento.

André M. – Já cogitei essa possibilidade com a Masque. Talvez acrescentando umas duas músicas novas e alguma regravação ou vídeo. Eu gostaria disso. Acho que esse álbum merece.

Progshine – Gosto sempre de deixar o espaço final livre para o artista, o espaço é de vocês.

Ary – A minha visão em relação ao mercado Progressivo é que se não juntarmos forças, não nos unirmos de fato, tanto Selo/Gravadora quanto a própria banda em busca de algo prático e plausível, com clareza e com disciplina iremos sempre conquistar nossos principais objetivos. Ganham as bandas, os fãs, os selos e gravadoras e o estilo permanece sempre de pé.

André M. – Agradeço ao site Progshine pela oportunidade e reconhecimento do nosso difícil intento de fazer rock progressivo no Brasil. Aos que gostam de nós e aos que não gostam também. Pois quem está na chuva é pra se queimar. Esperamos poder continuar e fazer mais álbuns e um DVD num futuro não muito distante.
Fico feliz de ver outras bandas com o Apocalypse, Index, Tarkus, Sleepwalker Sun, Spin XXI, Aether, etc… na luta, também, por um espaço no mercado progressivo. Eles são exemplos pra nós. Por fim, a Masque Records por acreditar no nosso trabalho. Valeu!

Myspace
Compre o CD

Tempus Fugit – Entrevista Progshine

Progshine – Foi um longo e árduo processo até o lançamento de Chessboard, não? Quando foi que ele começou exatamente?

Ary – Sim, 9 anos de um CD para outro pra ser mais exato! Diríamos que parte das músicas começou a ser compostas já em 2000. No festival de Los Angeles mesmo, o André já esboçava trechos de Chessboard em nossas músicas do Tales From… a sede de composição era imensa, e sempre queríamos estar junto mexendo aqui e ali com as canções, uma espécie de brincadeira punch-out (recorte e cole), algo do tipo. Tivemos também muitos problemas pelo meio do caminho, quase perdermos parte das gravações feitas pela bateria já em 2001.

André M. – Como não gravamos regularmente as composições se misturam. Existem músicas do CD Chessboard que nasceram em 1998 e outras de 2001.

Progshine – E como ocorreu o processo de composição? Imagino que já que o processo de gravação levou tempo as músicas foram mudando com o tempo, ou não?

André – Sim… isso sempre acontece. Até o momento da gravação ou no nosso caso até mesmo depois modificamos solos e linhas melódicas. Dizem que agente não termina um CD, agente abandona. E é verdade. Sempre tem alguma coisa que dá pra melhorar. Mas pelo tempo que tivemos na gravação do Chessboard ele é o nosso trabalho mais redondo. Na minha opinião não mexeria em praticamente nada do que está lá gravado. O que não posso dizer sobre o Tales From… de 1997, por exemplo. As composições chegam ao ensaio normalmente com uma estrutura definida. No entanto, o que eu mais gosto é que os outros dêem opiniões e acrescentem seu toque pessoal na composição. Talvez aí esteja o entrosamento entre nós.

Progshine – Como o trabalho tem sido recebido por público e critica até agora?

Ary – Esse trabalho em especial tem sido uma surpresa para todos nós, a expectativa pelo Chessboard era maior do que esperávamos, a 1ª prensagem vendeu rápido demais. Está sendo extremamente satisfatória pra eu ter voltado a tocar com o grupo, e saber que boa parcela dos fãs nos querem na ativa!

André – Felizmente tem sido muito boa. Concorremos até ao Progwards de melhor álbum estrangeiro de 2008. As críticas que li tem sido generosas e reconhecem a evolução da banda. As pessoas nos conheciam estavam realmente esperando pelo CD.

Progshine – O Tempus Fugit já tem um nome dentro do cenário Progressivo brasileiro, vocês acham que a persistência e crença no próprio trabalho é fundamental dentro desse difícil cenário musical?

Ary – Acho que se agirmos de forma disciplinada e correndo atrás de nosso real valor, teremos sempre algum resultado satisfatório, mesmo que não agendemos grandes shows, porém fazemos bons contatos e algumas parcerias.

André – Pois é… tem que gostar mesmo de progressivo pra seguir na estrada. Poucos lugares pra se tocar, downloads em todo lugar, críticas destrutivas, divulgação quase zero, etc… Fazemos porque gostamos mesmo. Mas se fosse pra viver disso, certamente não teria, por exemplo, um Minimoog. Acho que acreditar no trabalho que é a nossa música é fórmula de continuarmos na estrada a mais de 13 anos.

Progshine – Por falar nisso, quando a banda foi criada? Contem um pouco sobre vocês para quem ainda não os conhece?

Ary – Tudo começou quando André Mello (teclados) e Márcio de Almeida (bateria), formadores e membros da banda Visagem de Pandora, resolveram começar um novo projeto e convidaram dois velhos amigos: Bernard (baixo) e Henrique Simões (guitarra e violão) para fazer parte da banda. O nome Tempus Fugit foi inspirado no título de uma das canções da banda Yes, de quem André sempre foi muito fã. Semanas depois, Bernard deixou a banda para seguir sua carreira de designer. Henrique então convidou seu primo Ronaldo Simões para assumir o baixo. Esta primeira formação da Tempus Fugit gravou duas músicas que mais tarde fariam parte do disco debut da banda. Logo depois, com a saída de Márcio, a banda precisou de um novo baterista. Nessa época, a banda realizou alguns shows com César Lanzarini como Narrador e o baterista Marcio Fernandez. Eu , que me encontrava com André Mello em diversos eventos de Rock Progressivo no Rio de Janeiro, fui convidado para entrar na banda no início de 1996. No mesmo período, Bernard retornou para a banda. Esta nova formação gravou uma fita k7 demo. Deu-se início ao trabalho de divulgação visando chamar a atenção dos grandes selos da Música Progressiva, principalmente no Brasil.

Ainda em 1996, assistimos com amigos o primeiro RioArt Rock Festival´96, no Rio de Janeiro, que contou com atrações de peso como: Minimum Vital (França) e Solaris(Hungria). Nessa ocasião distribuímos as poucas unidades de fitas k7 demo entre o público do festival. A partir daí começaram então a surgir propostas de publicações e gravadoras. Em 1997, o selo brasileiro PC Mellody adotou a banda para lançamento do seu primeiro CD, Tales From a Forgotten World. O trabalho ganhou enorme reputação no Japão, Europa e EUA, de modo que provavelmente foi a banda progressiva brasileira de maior destaque nessa época.

Em 1998, foi lançado pela Rock Symphony The Official Bootleg – Feb 98, CD que registra o último show realizado com a primeira formação da banda. Hoje a banda é formada com André Luis Ribeiro no Baixo.

Progshine – Em Chessboard temos alguns convidados como Mirna Bertling e Fernando Sierpe nos vocais, José R. Crivanno na guitarra e Pedro Peres no baixo, como esses nomes chegaram até a banda?

Ary – Fernando sempre foi um grande amigo e eu admirava muito seus trabalhos com bandas de Heavy Metal, e o que me chamava muito a atenção era sua capacidade de cantar com maestria sem com isso exagerar em muitos aspectos que o próprio Metal se destina, dependendo da proposta, tornava-se um estilo sempre muito gritado e com projeções vocais acima do normal. O Fernando não tinha essa característica, era mais um vocalista para bandas Sinfônicas e Épicas, então achei que se encaixava perfeitamente nas linhas vocais mais densas que a Tempus procurava em algumas canções, e contatei a banda para saber se todos estavam de acordo com sua participação. O resultado vocês conhecem! Lembrando também que ele participa dos vocais de ‘Discover’ do nosso 2º CD The Dawn After The Storm.

André M – Pedro P. substituiu André Ribeiro no show em Los Angeles (Progfest 2000), pois ele não conseguiu o visto. Depois tocou conosco durante um tempo que o André R. esteve afastado da banda. Aí, o convidamos pra gravar The Princess. Assim foi também com José R. Crivanno. Foi ele que tocou no Progfest 2000 no lugar do Henrique que não tocou por não ser liberado pela Aeronáutica (ele é Sargento músico) na época. E a Mirna Bertling conhecemos na escola de música onde eu trabalho. A chamamos pelo seu timbre de voz que foge dos padrões de vocalistas atuais que conhecemos. Seu timbre é suave e combinou com a música (The Princess) e se encaixou bem com o meu timbre vocal também.

Progshine – O disco tem um certo romantismo no que se refere às letras, Chessboard tem algum conceito ou foram apenas coincidências?

André – Coincidência. Chessboard especificamente fala de um relacionamento complicado. Meu irmão Alexandre Mello é o letrista principal da TF. Minha letra neste Cd “Only To Be With You” fala de uma busca por Deus. Curiosamente, uma resenha sobre um dos nossos CD´s na Itália anos atrás já tinha comentado sobre este aspecto romântico que temos. Acredito que o aspecto romântico apareça mais nas melodias que componho. Sou fã de Tchaikovsky, Chopin, 14 Bis, Anyone´s Daughter, Yes, Guilherme Arantes, Supertramp, etc…isso se reflete nas minhas músicas.

Progshine – Se tivessem que definir os 3 discos de estúdio do Tempus Fugit como os descreveria?

Ary – Uma mistura, de uma forma bem equilibrada, com passagens de grande harmonia e melodia suave, seguida por trechos mais vigorosos.

André – Tales… de 1997: O pontapé inicial. Nossa… tudo era novidade. Tivemos uma graaande (sic) ajuda do técnico Alex Frias neste álbum. Ele ajudou a cortar as arestas e deu muitas sugestões que ajudaram muito no resultado final. As composições eram recentes (The Lord…, Song For Distant Land,) e bem antigas como Goblin’s Trail e War God que são algumas de nossas 1ºas músicas. Foi bem distribuído o que nos proporcionou um alcance muito bom mundo afora. A arte gráfica do Bernard (baixista e designer) marcou bastante. Depois desta capa ele fez várias para bandas nacionais neste estilo.

The Dawn… de 1999: Neste já sabíamos o que queríamos. As músicas estavam bem definidas nos arranjos. Estávamos melhores como músicos e as composições mantiveram o nível do álbum anterior. Músicas novas como “Discover”, “Never” e “Tocando Você” se misturavam com composições de 1993, 94 como o ”O Dom De Voar”, “The Fortress” e “The Dawn After The Storm”. Gosto bastante deste álbum. Nesse já tinha comprado meu Minimoog, um sonho realizado. Alex Frias novamente como técnico e o novo baixista (André Ribeiro) só enriqueceram ainda mais o nosso som.

Chessboard de 2008: O mais difícil de todos. A composição Chessboard com quase 20min foi um marco pra mim como compositor. Mas o mais resolvido. O tempo jogou a nosso favor. Arranjos, letras, solos, músicos foram mudando durante esses anos até o lançamento. A volta do Bernard na parte gráfica foi um presente pra nós. Som e imagem se fundiram e criaram uma identidade. Anderson Costa, o técnico de som do Chessboard, ajudou bastante no processo de gravação dando a banda uma sonoridade clara e encorpada. As participações foram muito felizes, vide o solo da música “The Princess: Parte 2” feita por José R. Crivanno que ficou muito bonito. Um trabalho de equipe que nos orgulhamos muito.

Progshine – O digipack de Chessboard é caprichado e muito bonito. Vocês acreditam que hoje, mais do que nunca, uma boa apresentação é tudo?

Ary – Claro que hoje em dia para se fazer um trabalho nesses moldes é algo extremamente audacioso e muito caro, mas como sempre prezamos muito pela parte visual, um dos pontos fortes da banda, um digipack a essa altura do campeonato não seria nada mal e quem mais ganha com isso somos nós fãs.

André M. – Se é… Fomos felizes em ter o Bernard novamente neste trabalho. Ele tem muito bom gosto e conhece bem o nosso som. O mérito é dele. O digipack luxuoso é uma forma de incentivar a comprar o álbum original e não que ele vire mais uma pastinha de arquivo MP3 num computador de alguém. Mas é uma coisa que não se pode lutar mais pelo jeito… é a vida. A verdade é que nem sei se vai haver um próximo álbum nosso. Composições novas e velhas não faltam graças a Deus.

Progshine – O primeiro disco do grupo Tales From A Forgotten World (1997) foi relançado pela Masque Records. Há planos para o relançamento do 2º álbum The Dawn After The Storm (1999) também?

Ary – Numa recente conversa com André Mello, cogitamos a possibilidade de vir á tona com esse projeto, já que o The Dawn After The Stotm está praticamente esgotado, então já que o Tales From Forgotten World está rendendo boas críticas, porque não relançar o The Dawn After The Storm que está aniversariando em 2009! E tudo indica que teremos umas surprezinhas nesse relançamento.

André M. – Já cogitei essa possibilidade com a Masque. Talvez acrescentando umas duas músicas novas e alguma regravação ou vídeo. Eu gostaria disso. Acho que esse álbum merece.

Progshine – Gosto sempre de deixar o espaço final livre para o artista, o espaço é de vocês.

Ary – A minha visão em relação ao mercado Progressivo é que se não juntarmos forças, não nos unirmos de fato, tanto Selo/Gravadora quanto a própria banda em busca de algo prático e plausível, com clareza e com disciplina iremos sempre conquistar nossos principais objetivos. Ganham as bandas, os fãs, os selos e gravadoras e o estilo permanece sempre de pé.

André M – Agradeço ao site Progshine pela oportunidade e reconhecimento do nosso difícil intento de fazer rock progressivo no Brasil. Aos que gostam de nós e aos que não gostam também. Pois quem está na chuva é pra se queimar. Esperamos poder continuar e fazer mais álbuns e um DVD num futuro não muito distante.

Fico feliz de ver outras bandas com o Apocalypse, Index, Tarkus, Sleepwalker Sun, Spin XXI, Aether, etc…na luta, também, por um espaço no mercado progressivo. Eles são exemplos pra nós. Por fim, a Masque Records por acreditar no nosso trabalho.

Valeu!

One comment to Entrevista E Resenha Exclusivas Com O Tempus Fugit

  1. Cesar Augusto Tomelin - cato disse:

    O Rock Progressivo que ja foi considerado anti-rock quando Os Mutantes e Rita Lee se separaram teve seu apogeu naqueles anos e caiu em decadência nas décadas que vieram. Tanto foi o ostracismo imposto sobre nos apreciadores da verdadeira música que hoje, nossa geração, dos que tem mais de 40 anos, sente um imenso vazio a cada novo dia, a cada nova manhã quando acordamos e nos damos conta de que o tempo esta fugindo de nos. Aqueles bons tempos ficaram tão distantes com seus acordes formidáveis e melodias que enchiam nossos corações e faziam com que ao contrário, conseguíssemos fugir do tempo. Hoje temos a esperança de que bandas com um apelo forte como Tempus Fugit consigam quebrar essa melancolia e fazer com que as verdadeiras inspirações voltem a fluir e emanar por todas as esferas e assim a essência do autêntico Rock Progressivo resgate o tempo que na verdade não esta fugindo mas movendo-se urgentemente
    a nossa volta quem sabe a nos levar para uma Nova Jerusalém.
    Parabéns ao Tempus Fugit pelo empenho e esforço em divulgar e manter viva a chama do Rock Progressivo e muito obrigado amigo Progshine por mais esta belíssima “pintura” de entrevista entre todos estes “Quadros de Uma Exposição” presentes em seu valoroso site.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s