
Progshine – Foi um grande (e imagino doloroso) período entre Beyond Metaphor (2001) e Keep An Eye On Me (2008). Contem um pouco sobre esse período.
Guill – Lançamos o “Beyond Metaphor” de forma independente e, como toda banda nessa situação, o sonho era assinar com uma gravadora ou um empresário. Ao final das gravações do “Beyond” nós partimos para a fase de divulgação e conseguimos assinar um contrato com um selo. Porém o contrato era apenas de distribuição, não tendo o envolvimento do selo em projetos de divulgação em mídias, agendamento de shows, etc. Foram alguns anos de tentativas de divulgação e até chegamos a gravar um vídeo-clipe, também de forma independente, além de fazer shows.
Sentimos, então, a necessidade de gravar nosso segundo trabalho, intitulado “Keep An Eye On Me”. Este álbum foi lançado também de forma independente, porém contando com um empresário (haja visto que o contrato com o selo já havia sido rescindido). Após as gravações assinamos contrato com um novo empresário, um americano que agora está nos dando uma projeção internacional.
Progshine – Em Keep An Eye On Me (2008) o naipe de cordas e as teclas elaboraram, e muito, o som da banda. Foi um processo natural convidá-los para participar do disco?
Daltri – Percebi que algumas canções ficariam fortes se tivessem um bom arranjo de cordas. Não tínhamos como elaborar isso nos ensaios, por isso a pré-produção foi tão importante nesse 2° álbum. Eu já tinha muita coisa em mente e somado com as idéias de Guill a gente conseguiu um ótimo resultado. Contamos também com a participação de um grande arranjador (Glauco Fernandes) que tomou frente nos arranjos de corda de “Miss Miami” e incrementou o que já tínhamos feito em “Lullaby For Victims” e “They All Call It Love”. Já nos teclados e pianos tivemos a participação do nosso amigo, músico e produtor (Tiquinho) que nos acompanha desde o 1° álbum.

Progshine – Gostaria de elogiar o desempenho de Guill, acho importante que ainda existam guitarristas que pensam em qualidade, não em quantidade. Aproveitem e nos contem um pouco sobre a influência da banda (senti um ‘q’ de David Gilmour no estilo de Guill).
Guill – Primeiramente gostaria de agradecer pelos elogios em relação a minha maneira de tocar. Eu venho de uma escola de guitarristas na qual se preza mais pela qualidade do que pela quantidade de notas. Minha busca é pelo “feeling” e pela melodia. Gosto muito de guitarristas do Blues e de guitarristas do Rock como Eric Clapton, David Gilmour, Ritchie Blackmore, Mark Knopfler, Mick Box, entre outros. Acho que hoje em dia muitos guitarristas se esquecem de que tem que contribuir para a música, não a música contribuir para sua técnica individual. Mas cada um tem sua proposta e eu respeito isso. Em relação às influências do resto da banda, o Daltri é quem dá as características mais voltadas para o Rock Alternativo. O Patrick e o Fagner sofrem forte influência do Heavy Metal. Já a banda toda em conjunto tem uma forte influência de bandas de Hard Rock, como Black Sabbath, Uriah Heep e Deep Purple.
Progshine – Quais vocês acreditam ser as maiores diferenças entre Beyond Metaphor (2001) e Keep An Eye On Me (2008)?
Guill – Achamos que as principais diferenças são a maturidade musical e profissional que a banda adquiriu nesse período de um álbum para o outro e o fato de termos tido uma estrutura muito melhor em relação à produção, instrumentos, gravação, etc.

Progshine – Na minha opinião ‘All The Thins I Hate’, ‘Lucifer’s Blues’ e Lullaby For Victims’ são os destaques do disco novo e também as minhas favoritas, de onde normalmente saem as idéias para as letras?
Daltri – Particularmente eu não tenho preferência sobre os temas das músicas que escrevo, mas eu gosto de focar em sentimentos, seja ele amor ou ódio. O importante pra mim é ter algo a dizer; vou citar essas três músicas que você gosta como exemplo, “All The Things I hate” fala de como é viver numa situação em que você deseja mudar tudo na sua vida. “Lucifer’s Blues” seria um monólogo do próprio Lúcifer narrando o seu papel na sociedade (risos). E “Lullaby For Victims” fala sobre terrorismo.
Progshine – Vocês tem um ótimo disco em mãos, como anda a recepção de público e crítica?
Daltri – A recepção do público sempre foi muito boa. Agora com essa projeção que o novo empresário está dando para a banda fora do país, estamos percebendo que o público europeu e americano também nos recebe de forma muito calorosa. Sempre deixam comentários em nosso myspace, website e twitter. Eles aguardam ansiosos pela nossa chegada aos EUA que será em breve. Além dos comentários de fãs, temos recebido muitos convites para shows em clubes e festivais, além de programas de rádio e de TV.

Progshine – Os dois discos da banda estão para download no site oficial da banda. Como é o processo ‘internet x música’ para o South Cry?
Guill – Na verdade esse processo “InternetxMusica” tem dois lados. O lado bom é a abrangência da divulgação, atingindo um grande número de pessoas. O problema é a questão da vendagem de CDs, que com a pirataria as bandas deixam de vender seu CD e tem que se adequar a essa nova realidade.
Decidimos disponibilizar as nossas musicas de graça porque vimos que isso aumentaria as chances de sermos notados. Nós não sabemos até quando deixaremos nossas músicas disponíveis para download gratuito, mas essa estratégia tem dado muito certo para gente. Por exemplo, o vídeo de “Whatever You Try” foi exibido num programa de tv americano em Saint Louis, além de termos nossas músicas em algumas rádios por lá. Recentemente um site japonês de rock pediu autorização pra veicular as nossas músicas, isso é muito gratificante pra banda.
Progshine – Acredito que durante o tempo entre os dois discos tenham surgido inúmeras composições, como foi o processo de escolha do repertório de Keep An Eye On Me (2008)?
Daltri – Tudo isso fluiu naturalmente. Simplesmente fui escrevendo as canções e conforme fomos ensaiando, sentimos o clima do álbum e focamos nisso. A partir daí nós nos concentramos nas músicas que tinham mais haver com o momento da banda. Houve duas grandes parcerias entre mim e Guill em “Make Me Live” e “Anguish Of Mind”.

Progshine – A arte do disco é minimalista, mas bem bonita, quem foi o responsável? Vocês assim como eu ainda gostam de pegar o CD/LP/DVD nas mãos e ler/ver o encarte com calma?
Guill – A responsável pela capa foi a designer Jeanine Geammal. Apesar de gostarmos dessa capa e da produção ser muito boa, na época não era exatamente a mensagem que a banda queria passar. Por isso decidimos fazer uma nova versão para o Keep An Eye On Me (2008) com o artista americano Geoffrey Rousselot na nova tiragem de cópias que será fabricada e divulgada, a princípio, nos EUA. Com certeza todos nós do South Cry gostamos de apreciar encartes e artes de CDs, LPs, etc. Acreditamos que o álbum vai além da música, a identificação visual também é muito importante no conceito do trabalho como um todo.
Progshine – Nos últimos tempos a cena roqueira no Brasil tem nos deixado na mão, no ‘underground’ ainda podemos encontrar bons nomes como o South Cry. Como é a cena no Rio De Janeiro e região?
Daltri – Obrigado. O cenário aqui não é dos melhores, tem muita porcaria, bandinhas de vitrine que tocam os estilos da moda e por isso tem mais espaço do que a minoria que realmente se preocupa em fazer um som digno de ser considerado Rock. Não por falta de talentos, mas sim por causa das mídias que não querem abrir espaço para bandas que não sejam padronizadas, deixando assim o cenário previsível. Aqui na nossa região não é diferente, são poucos os eventos que as bandas de rock conseguem um espaço, não havendo incentivo de prefeituras e casas de shows que acabam seguindo o que a mídia determina.

Progshine – Foi um prazer trocar algumas palavras com a banda e como sempre aqui no site a palavra final é de vocês.
South Cry – Em primeiro lugar o South Cry gostaria de agradecer ao Progshine.com pelo espaço e dizer que foi um grande prazer fazer essa entrevista. É de sites e pessoas com esse tipo de iniciativa que o cenário musical precisa para se tornar melhor e mais democrático. Gostaríamos de agradecer ao nosso empresário Jeremiah Thompson, ao nosso amigo Paulo Sérgio Velloso, às nossas famílias e amigos, e a todos que nos apóiam. Lembrando também de dizer que estamos preparando nosso 3º álbum que deverá ser gravado ainda esse ano. O nosso melhor ainda está por vir! Aguardem!
Desejamos muita sorte e sucesso ao Progshine.com!
Um abraço de todos do SOUTH CRY!
Site
Myspace
Twitter
Facebook
Faça o download dos álbums da banda AQUI (o download foi autorizado pelo grupo)
Beleza,muito maneiro D+!!!
Parabéns pela qualidade do rock. Num contexto como o de hoje onde o espaço existente, infelizmente é ocupado por lixo descartável, é um alívio saber que existe banda, músicos e gente que sabe o que faz!
Já sou fã destes moços faz tempoooooo, e agora com o “Keep An Eye On Me” nem fale… O trabalho foi feito com muita dedicação e carinho, o que resultou em algo lindo…um presente! Para a galera do South Cry…Muito muito muito sucesso!!!!
E como eu digo… De Lambtown para o MUNDO!!!
Bom…adorei a entrevista e sou fã da banda pela internet!!! Desejo muito sucesso para a banda e que essa nova fase internacional só aprimore o grande talento que todos vocês possuem!
Espero que o cenário musical brasileiro algum dia ainda possa dar espaço e valor merecido para vertentes musicais tão boas como vocês!
A banda é muito boa. A qualidade das composições salta aos ouvidos nos primeiros instantes de audição. Essas pitadas de Blues pelo caminho ficaram maravilhosas. Continuem assim. Abraços.