Foi com prazer que no dia 01 de agosto convidei um amigo para ir ver o trio de Jazz/fusion instrumental Lumina no New Jazz Bar em São Paulo, além de um excelente show com improvização e ótima musicalidade foi bom ter batido um papo com o pessoal da banda e combinar uma entrevista por e-mail a qual com exclusividade posto aqui no Progshine.
Também resenhei o disco da banda, disco qual Eliton Tomasi, manager da banda encarecidamente enviou ao Progshine, o site agradece de coração. Para ler a resenha CLIQUE AQUI.
Aproveitem e acessem o Myspace da banda para ouvirem um pouco do álbum Project (2008).
ENTREVISTA COM O TRIO LUMINA:

Progshine – Bom, inicialmente, como se deu o encontro de vocês? Todos acabaram tocando juntos em algum momento de suas carreiras?
Johny – Bom, acho que eu sou o “caçula” da banda! O projeto do Lumina começou quando eu e o Fabio nos conhecemos faz uns 3–4 anos eu acho. Nós nos conhecemos em um ensaio de uma banda de cover de rock anos 60–70 e de lá já engatamos um estúdio e saímos gravando FREE! Muitas faixas do nosso CD saíram destas sessões de duo. Nunca tinha tocado com o Sizão, mas ele e o Fabio já são velhos conhecidos e já tocaram muito juntos no passado. Quando o Fabio mostrou nossas gravações de Duo o Sizão perguntou: “Quer colocar um baixo aí?” E por ai foi! O show do NewJazz foi nosso quarto ou quinto encontro tocando juntos como trio.
Progshine – Na apresentação do dia 01/08 no New Jazz Bar notei que o grupo tomou proporções bem diferentes com a adesão do saxofonista Vitor Alcântara, me lembrou muito alguns grupos italianos dos anos 70 como o Napoli Centrale. A idéia é sempre ter convidados ou há planos para a inclusão de um quarto membro?
Johny – Olha, por mim eu incluiria muitos mais companheiros! O grande problema é como manter uma banda numerosa e como conseguir bons shows remunerados para motivar todos. Foi a segunda vez que o Vitor tocou com o Lumina e esperamos poder contar com ele em outras oportunidades. Aliás, no próximo dia 24/set vamos voltar ao New Jazz com o Vitor.
Progshine – Os 3 são músicos de estúdio e sidemen há um bom tempo, quais são os projetos atuais?
Johny – No momento estou 100% dedicado aos shows do Lumina e preparando novas composições para o segundo CD. Penso tambem em voltar a trabalhar em projetos envolvendo Sitar Indiano assim que possível.
Fábio – Eu também sou baterista da banda de rock progressivo Banda Do Sol. O grupo foi formado em 1980, tivemos um LP lançado em 1982 e depois nos separamos. Fizemos vários retornos, mas só agora que o grupo voltou pra valer. Estamos gravando um novo disco que vai ser mixado em Los Angeles por um dos produtores e músicos mais respeitados do cenário mundial do rock progressivo. Também anuncio em primeira mão que nosso novo tecladista é o Allex Bessa (Rita Lee, Tarkus, Yessongs, etc)
Progshine – E por falar nisso, como é o método de composição, criação e arranjo de um trio? Como isso reflete na música como um todo?
Johny – Varia… as vezes vem de uma ideia na guitarra, as vezes de um groove de bateria, baixo, ou as vezes
é completamente FREE, totalmente improvisado!
Progshine – Johny, uma coisa que vi claramente nas composições, com um destaque maior em Crystal Tower, foi a guitarra ‘Crimsoniana’ de Robert Fripp, é uma grande influência?
Johny – Eu considero o Fripp um grande gênio e um grande inovador tanto musicalmente qto tecnicamente (Frippertronics, etc). Fico feliz de você ter percebido estas influências, mas eu tenho muitas outras influencias, principalmente na parte harmônica, que vem do erudito (Beethoven, R.Wagner, Arvo Part, etc) alem de outros grandes guitarristas (Allan Holdsworth, John Mclaughlin, etc). Mas o meu grande guru é o saxofonista John Contrane.
Progshine – Como é a repercussão de um trabalho instrumental no Brasil? Como é e como se encaixa esse estilo dentro de terras brasileiras? O mercado internacional é focado também?
Johny – Considero a musica instrumental a voz do coração e da alma, sem interferências de palavras concebidas pelo cérebro. É o conceito da musica pura, que não é inspirada por um tema pré-concebido. Tenho percebido grande interesse do publico e agora tenho percebido que estão aparecendo novos lugares como o NewJazz que estão receptivos ate mesmo para sons não muito convencionais como o do Lumina. Já no mercado internacional acredito que a aceitação eh maior, porem ainda estamos longe do Mainstream….talvez a internet mude rapidamente este panorama.

Progshine – O Rock Progressivo claramente pode ser ouvido em algumas das composições do disco Project, vocês acham que é um ‘estilo morto’ e o quanto isso influenciou cada um da banda?
Johny – Eu ouvia mais Hard Rock (Deep Purple, Led Zepelin, etc) e depois ouvi Progressivo (Yes, King Crimson, U.K., etc). Pra mim não esta morto não, apenas não tenho acompanhado muito o cenário atual pois ultimamente tenho ouvido mais jazz e fusion.
Progshine – O equipamento de uma banda é sempre um ponto forte, que equipamentos vocês utilizam no palco e em estúdio?
Johny – Nos shows depende do tamanho do palco, quando o palco é grande eu gosto de usar amplificadores valvulados Mesa Boggie da serie Rectifier e delays Eventide e Lexicon. No estúdio tenho preferencia também por usar o mesmo set up supracitado. Nos palcos pequenos tenho usado set up compacto baseado em modeladores e delays digitais da Yamaha e Roland, além de vários pedais e multi efeitos compactos.
Progshine – A modernidade no mundo da música é algo que toma todos de assalto e deve ser vista de maneira séria no dias de hoje, como a banda encara os novos dias da música? A internet ajuda ou atrapalha?
Johny – Eu diria que a internet ajuda muito a divulgar o trabalho e fazer contatos inclusive internacionalmente, inclusive possibilitando termos sites hiper interessantes como o Progshine, levando musica alternativa fora do mainstream ao alcance de quem estiver interessado. A história do Lumina inclusive começou a tomar forma depois que descobrimos o Myspace.
Porem a digitalização da produção e distribuição (leia-se CDs, MP3’s, etc) facilitou muito a pirataria, o que propiciou uma fuga nas fontes de renda dos músicos e compositores, que agora só tem a alternativa dos shows para levantar dinheiro. Isso mudou o paradigma da industria fonográfica, obrigando aos músicos a caírem na estrada. De um certo modo foi até bom, pois só cai na estrada quem for bom musico, artistas produzidos com “Protools” vão pensar 10 vezes antes de fazer um show. Em resumo, tem pros e contras como qualquer outra novidade que o ser humano inventa. Eu particularmente se pudesse tocaria sempre ao vivo….
Progshine – Gostaria de deixar explícito os agradecimentos do Progshine.com para a banda e deixar a última palavra com vocês!
Johny – Gostaria de agradecer ao Progshine pelo espaço aberto ao Lumina e a musica instrumental alternativa. Sei que muitas pessoas não curtem musicas sem “letras” e cantores(as), mas acredito que a musica instrumental pura irá paulatinamente achar o seu lugar no mercado no mundo e quanto mais conseguirmos mostrar ao publico mais rápido será o processo. Muita Paz, Som e Luz…. Lumina a Todos!