
Resenha: Diego Camargo
Nota: 4
South Cry
Keep An Eye On Me
2008
Independente
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Faixas:
1. Make Me Live – 3’50
2. Whatever You Try – 4’00
3. Rebel Angel – 4’58
4. All The Things I Hate – 5’54
5. Miss Miami – 5’05
6. Lucifer’s Blues – 4’38
7. Arising – 4’52
8. Stay – 5’01
9. Lullaby For Victims – 5’14
10. They All Call It Love – 5’07
11. Anguish Of Mind – 8’43
Integrantes:
Daltri Barros – voz e guitarras
Guill Erthal – guitarras
Patrick Siliany – baixo
Fagner Victor – bateria
Músicos convidados:
Alexandre Meu Rei – guitarras (2 e 4)
Tiquinho – piano, órgão Hammond e teclados
Glauco Fernandes – violino
Léo Ortiz – violino
Luiz Audi – viola
Hugo Pilger – violoncelo
Claudio Alvez – contrabaixo
Eduardo Prado – metais
Resenha:
1. Make Me Live
Belo começo, definitivamente. Eu acho difícil definir o tipo de som que o South Cry faz, não que isso seja realmente necessário. Mas eu sei que gosto desse estilo de Rock, um pouco de Hard Rock, um pouco do que chamamos de Rock Alternativo e bons riffs. Ótimo começo.
2. Whatever You Try
Uma belíssima balada, sabiamente ‘ancorada’ pelo piano do músico Tiquinho.
Além da bonita melodia nos vocais de Daltri Barros não posso deixar de comentar sobre o belo solo de Guill Erthal no comando das 6 cordas, bem ao estilo de David Gilmour (Pink Floyd).
Seria um forte candidata às Fms roqueiras se estas não fossem viciadas e compradas pelas grandes gravadoras.
3. Rebel Angel
Um outro forte do grupo são as linhas de baixo de Patrick Siliany que é pesado e preciso quando é necessário mas não fica no lugar comum de tocar apenas a nota do acorde (fato que envenena 90% das bandas do cenário ‘rock’ brasileiro atual) criando assim boas e inteligentes bases.
Eu também gostei muito dos vocais no refrão, Daltri tem uma boa voz.
4. All The Things I Hate
Excelente faixa! Inicia com uma ótima melodia e um solo fabuloso.
O refrão é marcante e a guitarra de Guill ‘fala’ entre os versos. Destaque também para as letras do grupo, que até aqui se mostram concisas e bem escritas, mais um ponto para os afastarem do ‘lugar comum’ de bandas tão comuns em nossa mídia.
Até aqui minha faixa favorita do disco.
5. Miss Miami
Uma boa balada que só no refrão fica realmente interessante, uma boa canção, mas que não faz o meu estilo. Mas, uma vez mais a guitarra de Guill fala mais alto e muito bem.
Eis que na metade da canção uma surpresa! Um naipe clássico muda totalmente a música. Violinos, cello e contrabaixo, como se não fosse o bastante, a banda ainda acelera o ritmo e junto com o quarteto transforma uma música ‘mais do mesmo’ em uma grande faixa!
Parabéns à banda!
6. Lucifer’s Blues
Só pelo bom nome já me convenceria (risos). Mas notei a forte influência de Pink Floyd fase The Division Bell nessa faixa.
Bom trabalho de guitarras e órgão Hammond. Uma boa letra é apresentada, de maneira diferente e interessante.
7. Arising
Não é comum, de maneira nenhuma, encontrar um guitarrista como Guill nos dias de hoje, enquanto a grande maioria acha que precisa tocar mil notas por segundo (como um Malmsteen masturbando sua guitarra), Guill Erthal nos mostra que a escolha das notas é muito mais importante do que quantas são as notas tocadas.
Uma coisa deve ser dita sobre o baterista Fagner Victor, ele não é um baterista ruim, de maneira nenhuma, e ele também não enfrenta o que eu chamo de ‘mal dos bateristas’, que é a saturação da caixa da bateria, deixando com que o som se torne ‘plástico’, falso. Mas não creio que a gravação o tenha ajudado, seu som ficou um tanto ‘vazio’ nas faixas.
8. Stay
Sabem o que eu acabei de comentar sobre a bateria na faixa anterior? Em ‘Stay’ temos um ‘renascimento’, ainda não acho que seja o som de bateria ideal para a música da banda, mas está bem melhor do que em alguns momentos anteriores.
Uma faixa com pegada e uma ótima linha de baixo.
9. Lullaby For Victims
Bonita letra que prega sob a visão de um soldado dentro da guerra, inteligente.
Em alguns momentos o som da banda me lembra o extinto Diesel (agora Udora), acho que pelo timbre vocal e a evidente influência do excelente Silverchair.
No meio da música uma fabulosa surpresa, volta o quarteto de cordas e logo em seguida a melodia muda um pouco com o ritmo marcial de Fagner e a ótima linha de baixo de Patrick.
Outra grande faixa! Ótimo desfecho.
10. They All Call It Love
Linha clássica ao piano, adorei a melodia, é cativante.
Uma bonita balada existencialista enfeitada com o quarteto de cordas.
11. Anguish Of Mind
A faixa de encerramento do disco é também a mais pesada, e aqui sim ouvi ecos de Silverchair como a grande influência. Belos riffs na segunda metade da faixa.
No final temos uma ‘Anguish Of Mind’ quase totalmente diferente, só voltando no final, terminando assim o disco, e muito bem.
Temos aqui um ‘ar’ rarefeito na escassa e triste cena roqueira brasileira.
Se tratando ou não de Rock Progressivo achei que tinha o dever de fazer com que o máximo possível de pessoas conhecesse a banda.
Ótimo disco.