
Por: Eduardo Guimarães
Faz 14 anos que o Anathema cruzou uma fronteira que desagradou alguns fãs, deixando o Doom/Death Metal para trás e assumindo cada vez com maior intensidade suas influências progressivas. Se isso desagradou alguns, agradou muitos outros.
Em We’re Here Because We’re Here (2010) a banda continua caminhando essa trilha atmosférica e progressiva com maestria e muita beleza. Obviamente o disco não é uma obra-prima como Judgement (1999), porém, também é marcante e certamente importante na carreira da banda, mas de um modo diferente.
As passagens viajantes continuam presentes, melodias belas, mas há um clima muito mais de esperança do que a melancolia de discos anteriores, como em A Natural Disaster (2003). Das 10 faixas do álbum, pelo menos duas delas já circulavam pela internet há tempos: ‘Everything’ e ‘Angels Walk Among Us’. Aliás, esta última é uma das mais belas do álbum e parece uma sequência temática de ‘One Last Goodbye’.

‘Thin Air’ abre o álbum. A música começa lenta e com poucos elementos sonoros, mas vai ganhando corpo e vida até se tornar uma das mais rápidas e pesadas do disco. ‘Summer Night Horizon’ segue a mesma linha. Mas lembre que ‘pesado’ aqui é relativo ao que a banda tem feito nos últimso discos. Não espere nada de Eternity (1996) para trás.
‘Dreaming Light’ apresenta uma das gravações mais bonitas do vocal de Vincent Cavanagh. A voz límpida e cheia de emoção contagia. ‘Presence’ é uma continuação da melodia de ‘Angels Walk Among Us’ com a adição belíssima de um orgão e o vocal falado, que remete muito ao Pink Floyd, mas sem o desespero de ‘Hope’, por exemplo. A orquestração e o vocal da cantora Lee Douglas, que gravou diversas partes no disco, são os pontos altos.
A maioria das faixas continua com a seguinte, sem intervalos, o que propicia uma experiência de viagem continua por todos os 58 minutos de duração do disco. O disco foi produzido pela própria banda com mixagem assinada por Steven Wilson, do Porcupine Tree, o que resultou numa parceria perfeita.
A única música que realmente não agrada é ‘Get Off, Get Out’. Em compensação, todo o restante do trabalho é tão incrível, que esse ponto negativo não arranha a beleza do álbum.
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